segunda-feira, junho 14, 2021
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Batata: 45 anos sem o ídolo da 7

Como a saudade e o cansaço anularam o ponta que ninguém marcava

Salve Nação Celeste!!!

12 DE MAIO DE 1976

ALIANZA 0X4 CRUZEIRO

O ÚLTIMO GOL

O primeiro jogo da fase eliminatória da Libertadores acontecera em Lima, no Peru.

Lá os brasileiros foram intimidados de todas as formas; foguetes no hotel, pancadas no ônibus a caminho do estádio, campo apinhado de gente.

É que os brasileiros, apesar de serem os melhores do mundo, tinha a fama de temerem esses pormenores da Libertadores; afinal, apenas o Santos até então havia conseguido driblar essa perspectiva.

Em campo, porém, insucesso no projeto ‘intimidatório’ peruano (sic).

Velasquéz, que entrara em campo apenas para quebrar nossas peças de ataque, tomou dois cartões com 15 minutos de jogo e a partida virou um passeio.

Aos 20 minutos do primeiro tempo, lançamento de Joãozinho para Batata que fechava pela direita da área. Ele escolheu o canto e marcou com categoria.

Cruzeiro 1×0.

Mal ali sabia alguém que se tratava de um momento tristemente histórico: o último gol de Roberto Monteiro Batata pelo Cruzeiro!

No resto do jogo, dois golaços de Joãozinho, um por cobertura tal qual prometera antes da partida à imprensa local, e outro enfileirando três marcadores mais o goleiro Canozza.

E no final, Jairzinho selou o 4-0 para ninguém mais crer que aquele Cruzeiro iria parar por qualquer bobagem!

13 DE MAIO DE 1976

SAUDADES. CANSAÇO. E MAIS SAUDADES.

O ACIDENTE

Logo após o jogo, os jogadores tomaram banho e se arrumaram ali mesmo no estádio; no ônibus já estava todo o material.

Dali para o aeroporto.

O vôo partiria já à meia-noite; distraído, Batata quase perde o vôo.

Correu pelo aeroporto e encontrou a turma desesperada à sua espera.

Antes tivesse perdido.

Antes tivesse o avião decolado sem ele.

Seis horas depois pousavam em solo brasileiro, no Rio de Janeiro.

Mais seis horas de espera, mais um vôo e enfim, BH.

Batata não parou por ali.

Não quis descansar.

Queria ir para Três Corações, distante 300 km dali, para ver sua esposa Denise e seu pequeno Leonardo, de apenas 11 meses.

Para tal, ignorou os pedidos de Jairzinho e saiu escondido estrada afora em seu Chevette.

No KM 182 da Fernão Dias, Batata sucumbiu ao seu marcador: o cansaço!

Dormiu ao volante, invadiu a contramão e acertou forte e fatalmente um primeiro caminhão.

O impacto arrancou Roberto de dentro do carro, que rodou sozinho e bateu noutro caminhão.

Fim de linha para o monstro que houvera sido titular da Seleção Brasileira na Copa América um ano antes.

Fim de jogo para o cara que marcou mais de 100 gols com a 7 celeste, ponta rápido, talentoso, tático.

Um triste apito final!

E a saudade que ele tanto queria matar, ali acabou o matando.

20 DE MAIO DE 1976

CRUZEIRO 7X1 ALIANZA

A MÍSTICA E O MISTÉRIO

O velório parou BH.

Torcedores de todos os times. Jornalistas do País inteiro.

Jogadores de Cruzeiro, Atlético e América.

Todos em choque pela trágica perda de Roberto Batata.

Sete dias após a morte do companheiro, o Cruzeiro haveria de seguir.

Aos pedaços, mas seguir.

Haveria o jogo de volta contra o Alianza.

Entraram em campo cabisbaixos; a banda da Polícia Militar fez homenagem antes de jogo e entoou a marcha ‘O Silêncio’.

O capitão Castilo, do time peruano, entregou a um Piazza entre lágrimas uma placa em homenagem ao falecido ponta. Todo o time adversário foi abraçar os cruzeirenses e nesse clima fúnebre o jogo se iniciou.

Adormecido, abobado, o Cruzeiro enfileirou gols perdidos com Piazza e Zé Carlos, o substituto de Batata.

Jair fez 1-0, mas logo o Alianza empatou.

Palhinha tratou de fazer 2-1 e o primeiro tempo acabou assim.

No intervalo, seu Zezé Moreira tratou de sacudir o time e exigir aos berros que, se os colegas quisessem de fato homenagear o colega, que jogassem bola; que fizessem gols; que acordassem em campo.

Assim que voltaram, Jair marcou mais dois antes dos quinze minutos.

Aí entra o mistério que o capitão Piazza assim conta:

‘Quando nos abraçamos no quarto gol, surgiu entre nós uma voz que pedia: vamos fazer sete!’

Ninguém explica essa voz.

Piazza, Nelinho, Eduardo… ninguém sabe de onde veio.

O que mais impressiona é que o jogo seguiu com o Cruzeiro perdendo chances.

Só depois da metade do segundo tempo é que Palhinha fez 5-1.

Eduardo, o camisa 7 da noite, fez 6-1.

E Jair, o 7 da copa de 70, fez o sétimo gol.

Pronto!

Poderiam parar por ali, certo?

No último minuto de jogo Nelinho tabelou com Jair, recebeu dentro da área, cortou para a direita e soltou a bomba. A bola explodiu no travessão.

Não era para ser diferente.

A mística do 7…

O mistério da voz…

Fato é que ali o grupo se fechou para trazer de volta para o Brasil a esperada Taça Libertadores.

Em homenagem ao eterno ROBERTO BATATA!

Fotos: Terceiro Tempo / Revista Placar / Superesportes

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