segunda-feira, junho 14, 2021
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Heróis Marginais

Diz a velha canção: Goleiro não pode falhar!

Salve Nação Celeste!!!

‘Eu vou lhe avisar, goleiro não pode falhar!

Não pode ficar com fome

Senão é um frango aqui, frango acolá…’

Jorge Bejnor canta essa pedra há tempos.

E nesse quesito o Cruzeiro sempre foi bem servido. Nossos arqueiros dificilmente entram em campo com fome.

Seria extremamente fácil falar de Fábio, Dida, Raul ou Gomes por aqui.

São histórias muito contadas, vária vezes expostas.

Mas aproveitando-me da comemoração do dia do Goleiro nesse próximo 26 de Abril, quero aqui contar a breve história de quatro goleiros que ficam à margem da prateleira dos grandes ídolos sob as metas, mas que somados chegam a 1.000 jogos defendendo o Cruzeiro:

GERALDO CANTINI, GERALDO DOMINGOS, HÉLIO E LUIZ ANTÔNIO!

GERALDO CANTINI, o Primeiro, jogou aqui entre 1927 e 1942, atuando 225 vezes com nossa camisa.

Pedreiro de profissão, goleiro de ofício, Cantini foi nosso guarda-metas no Tricampeonato de 28-29-30, e também no título estadual de 1940.

Atuou na era amadora do Palestra e ainda estava aqui quando o time se profissionalizou.

Ao se aposentar, entregou as luvas e a já famosa camisa branca de listras verde e vermelha a seu sucessor e xará.

GERALDO DOMINGOS, o Segundo, era a encarnação do Time do Povo.

Enquanto foi goleiro, também trabalhava de Pedreiro como seu antecessor.

Tanto que o ex-Presidente celeste Mário Grosso assinou com ele um contrato em que recebia 450 Cruzeiros enquanto goleiro do time, e mais 350 Cruzeiro na construção do estádio JK e suas arquibancadas.

Pegava muito.

Jogou 388 jogos aqui entre 1934 e 1943, sendo titular a partir de 1940 até o fim.

Geraldo Segundo contava que seu jogo mais memorável foi contra o Siderúrgica, na cidade de Sabará, em que contabilizou nada menos do que 34 defesas, sendo peça fundamental naquela vitória, no título daquele ano e no Tricampeonato de 43 a 45.

Seu amor ao clube era tão grande que aceitou um inusitado desafio: no final do campeonato de 1954 o goleiro Chico estava suspenso e seu reserva, lesionado; recorreram ao já aposentado Geraldo Segundo. Mesmo parado há quase dois anos, ele aceitou o desafio em defender seu time uma derradeira vez.

Foi sucedido por Chico, Fábio Primeiro e por Genivaldo, até chegar a vez de Raul.

E de HÉLIO.

Hélio Dias de Oliveira era goleiro do Atlético no final do ano de 1970 quando após uma derrota para o Cruzeiro, saiu no jornal uma foto dele no chão e sorrindo enquanto Tostão comemorava seu gol (na foto acima). Criaram a história de que ele se vendeu e foi dispensado.

Felício Brandi, esperto que era, logo tratou de trazer Hélio para ser reserva de Raul.

Mas não foi bem assim enquanto conta a história.

Raul foi sim ídolo e mítico por 15 anos, mas não foi titular o tempo todo.

Tanto que Hélio jogou 207 partidas pelo Cruzeiro entre 71 e 78, tempo em que Raul estava aqui; especialmente entre 73 e 74, o ídolo da camisa amarela esquento banco para o goleiro que jogou nas seleções de base e disputou Olimpíadas pelo escrete Canarinho.

Dentre outras façanhas, Hélio defendeu um pênalti cobrado por ninguém menos que o Rei Pelé num jogo entre Cruzeiro e Santos no ano de 1971.

Hélio ficou aqui até 1978; pouco depois Raul saiu também e abria-se ali uma lacuna com variados testes em nomes como Ica, Celso, Gasperin e Bocaiúva na busca por um titular na posição.

Isso foi até o Cruzeiro acertar a aposta: LUIZ ANTÔNIO, vindo do interior de São Paulo.

A missão de Luiz Antônio era por demais árdua: substituir o mito Raul.

Dono de uma vasta cabeleira, até nisso as comparações nada justas se deparavam.

O time, empobrecido dentro e fora de campo, padecia de vitórias e títulos, mas Luiz Antônio não esmorecia; ágil, de excelentes reflexos e extremamente corajoso, jogou 184 partidas pelo Cruzeiro de 1979 até 1986, um dos piores períodos dentro de campo.

Período, porém, de corajosa reconstrução: fez parte do time que conquistou o título mineiro de 84, quebrando a hegemonia do Atlético e preparando o time para novos vôos a partir do final da década.

Eu poderia falar de outros heróis marginais da meta celeste: Gomes Primeiro, Genivaldo, Paulo César.

O que eu queria mesmo era apresentar à torcida a história desses caras que jamais deixaram cair nossa cidadela!

Mostrar pra todo mundo que essa turma, além dos monstros, também deve ter seu devido valor e reconhecimento!

Parabéns, enfim, a todos os goleiros que horaram nosso manto azul estrelado!

* Fotos: Cruzeiropedia / Facebook Centenário do Cruzeiro / Itatiaia / Twitter / Superesportes / Terceiro Tempo

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