Cruzeiro tem pagamentos em dia apesar de dívida bilionária, aponta levantamento de agência da CBF
Levantamento da ANRESF aponta dívida bilionária do Cruzeiro, mas não identifica pagamentos em atraso nas categorias analisadas
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Apesar de apresentar a quarta maior dívida entre os clubes da Série A, o Cruzeiro não registra pagamentos vencidos e não quitados nas categorias analisadas pelo Painel de Solvência da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF), da CBF. O levantamento também revela a situação financeira das demais equipes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro.
O documento apresenta informações sobre o pagamento de salários, transferências de jogadores e impostos, além do tamanho e do perfil das dívidas dos clubes. Nesse cenário, o Cruzeiro, que está no sexto ano desde a constituição de sua Sociedade Anônima do Futebol (SAF), aparece com obrigações incluídas em planos de pagamento, sem indicação de parcelas vencidas e não quitadas nas categorias analisadas.
Nas categorias referentes aos salários de atletas e funcionários e às transferências de jogadores, o Cruzeiro aparece com a classificação “Em plano de pagamento”. Isso significa que existem obrigações submetidas a condições específicas de quitação, com pagamentos distribuídos ao longo do tempo. O clube também está em recuperação judicial, processo que estabelece um cronograma para o pagamento de parte de seus credores.
Em relação aos impostos, outra categoria analisada pela ANRESF, o Cruzeiro não informou valores vencidos e não pagos. Dessa forma, os dados apresentados não indicam atrasos nas obrigações avaliadas pelo levantamento. As informações sobre inadimplência têm como data de referência 30 de junho de 2026.
Outros clubes sem pagamentos em atraso
Além do Cruzeiro, outros seis clubes da Série A não apresentaram pagamentos vencidos e não quitados nas três categorias analisadas pela ANRESF: Bahia, Chapecoense, Flamengo, Mirassol, Palmeiras e Red Bull Bragantino.
A diferença é que essas seis equipes não possuem a indicação de obrigações submetidas a planos de pagamento no painel, enquanto o Cruzeiro aparece nessa condição.
Dívida total do Cruzeiro
Atualmente, a SAF do Cruzeiro é administrada por Pedro Lourenço. Entretanto, o cumprimento das obrigações previstas nos acordos não significa que o clube esteja livre de dívidas.
De acordo com o Painel de Solvência da ANRESF, após uma revisão nos critérios de contabilização, o Cruzeiro apresenta uma dívida total de R$ 1,28 bilhão, a quarta maior entre os clubes da Série A. Apenas Atlético-MG, Corinthians e Botafogo aparecem à frente da Raposa.
Por outro lado, quando consideradas as dívidas de curto prazo, a situação da equipe celeste é mais favorável. Com R$ 350 milhões, o Cruzeiro aparece entre os nove clubes da Série A com os menores valores nessa categoria.
Como era a dívida do Cruzeiro antes da venda da SAF?
A SAF do Cruzeiro foi formalmente constituída em 2021, durante a gestão do então presidente Sérgio Santos Rodrigues. Naquele período, o endividamento do clube se aproximava de R$ 1 bilhão, com obrigações de diferentes naturezas.
Entre os valores apresentados à época, estavam:
- Dívidas de curto prazo: cerca de R$ 360 milhões.
- Dívidas fiscais e tributárias: aproximadamente R$ 232 milhões com a União.
- Dívidas de longo prazo: cerca de R$ 609 milhões em empréstimos e acordos cíveis.
- Pendências na FIFA e na CNRD: aproximadamente R$ 128 milhões em débitos relacionados a transferências de jogadores e outras obrigações esportivas, sendo cerca de R$ 65 milhões em processos internacionais e R$ 62,9 milhões em pendências nacionais.
Os valores correspondem a diferentes classificações das obrigações financeiras do clube e não devem ser somados indiscriminadamente, já que algumas categorias integram o endividamento de curto e longo prazo.
Posteriormente, a SAF celeste foi vendida a Ronaldo Nazário. Durante sua gestão, o Cruzeiro teve seu plano de recuperação judicial aprovado pelos credores, em junho de 2023, e homologado pela Justiça em agosto do mesmo ano. O processo, de responsabilidade da associação, incluiu parte das dívidas do clube em um cronograma de pagamento de longo prazo, com os credores divididos em quatro classes.
Os primeiros pagamentos estavam previstos para ocorrer até novembro de 2023, contemplando inicialmente os credores trabalhistas. O plano estabelece diferentes condições e prazos de quitação, que podem chegar a 18 anos para determinados débitos trabalhistas. Entretanto, caso o Cruzeiro cumpra corretamente as 12 primeiras parcelas anuais desses créditos, poderá ser dispensado das seis restantes, conforme as condições previstas no acordo.