“Fizemos o suficiente para ganhar”, diz Artur Jorge após empate do Cruzeiro com o Fluminense; veja a coletiva do técnico
O treinador também comentou sobre o plano do time celeste na janela de transferências
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Após o empate entre Cruzeiro e Fluminense em 1 a 1, neste domingo (31), no Mineirão, o técnico da Raposa, Artur Jorge, analisou o desempenho da equipe celeste no duelo e lamentou o resultado, considerando que o time produziu o suficiente para conquistar a vitória. A partida foi válida pela 18ª rodada do Campeonato Brasileiro e marcou o último jogo antes da parada para a Copa do Mundo.
“A análise que eu faço é uma análise de um jogo cínico e ingrato para nós, porque é de fato, bom, mas acho que hoje fizemos o suficiente para conseguir mais do que um ponto. E eu parabenizei a equipe há pouco, quando falei com os jogadores, pelo empenho, por aquilo que foi o comportamento deles em campo, pela forma como tentaram continuadamente. Naturalmente, na segunda parte, quebramos um pouquinho fisicamente, deixamos o Fluminense ter um pouco mais de bola também, mas fomos completamente dominadores na primeira metade e fomos também agressivos para podermos pensar unicamente no resultado.”
“Facilmente vocês percebem que também mexemos na equipe sempre com o sentido de poder chegar à vitória. Para nós, não era opção outro resultado que não ganhar. Queríamos também aproveitar aquilo que foi o jogo anterior da Libertadores e todo o momento bom que a equipe tem vindo a trazer, mas é mais um ponto. É um ponto num campeonato muito difícil, num campeonato onde nós precisamos de vir de baixo para cima. Estamos, nesta altura, ali a meio da classificação, juntamente com outras equipes. Digo-lhes que é um ponto com o qual ficamos, mas com o sabor amargo, sobretudo pela forma como os jogadores hoje tiveram desempenho.”, iniciou Artur Jorge.
Balanço do trabalho realizado desde sua chegada ao Cruzeiro
“Eu entendo sempre que nós podemos ambicionar e crescer mais, mas eu, pessoalmente, vou satisfeito com aquilo que nós fizemos até então. Olhando para o campeonato, nós tivemos 30 pontos em disputa, fizemos 20. Estamos nas oitavas de final da Copa Libertadores e nas oitavas de final da Copa do Brasil.“
“E, mais do que isso, que isso é o resultado que todos nós vemos, é nós também percebermos o desempenho da equipe, a forma como se comporta, a forma como a equipe joga e procura ganhar. Quando lhe disse há pouco, nós fizemos o que a equipe precisava, esse empurrão também. Nós tentamos fazer com que a equipe pudesse estar mais tempo perto da área contrária, sobretudo na segunda metade, depois de termos sofrido um gol, numa desatenção, num mau momento defensivo nosso.”
“Mas onde, durante os 90 minutos, diria, fomos uma equipe que trabalhou para ganhar, com os jogadores a correr e a tentar fazer as coisas para ganhar. Nós, de fora, também a injetar energia nova com os jogadores novos para poder ganhar e, mesmo trocando algumas posições, ficando com a equipe algumas vezes exposta, mas onde claramente a mensagem ficou para todos. E acho que também é importante para nós passarmos isso aos atletas, de que nós jogamos para ganhar e temos que procurar isso, e é uma forma de ambição que eu quero construir aqui dentro.”, disse o técnico português.
Quais pontos o elenco mais evoluiu e onde precisa melhorar?
“Nós evoluímos muito no desempenho, nós evoluímos naquilo que era o plano de jogo, que os atletas abraçaram também como sendo deles, e isso é muito importante para que nós possamos ter desempenho. Obviamente, os resultados são visíveis para todos, mas eu vejo uma equipe com ambição, vejo uma equipe que procura ser melhor a cada dia, uma equipe que compete muito em cada dia de treino, uma equipe que exige que aqueles que estão a jogar possam ser melhores, porque têm outros também à espera de uma oportunidade.”
“É essa competitividade que nós queremos criar internamente, e aquilo que nós temos que fazer é continuar a buscar exatamente essa competitividade, olhar também para aquilo que possa ser esta nossa parada para podermos fazer algum reajuste na equipe, sobre aquilo que teremos a oportunidade, e depois, a partir daí, tentar atacar a segunda metade também da mesma forma, mantendo este registro progressivo de crescimento para que possamos estar em decisões mais importantes do que aquelas em que nós hoje nos encontramos.”, afirmou o comandante.
Qual plano para a segunda metade da temporada?
“Bom, nesta intertemporada aqui para o Brasil, é uma novidade. Para mim, estou mais habituado, porque estou habituado a poder fazer uma parada nesta altura dos meses de junho, julho e agosto, para que depois ataque um campeonato inteiro. E eu só vou ter depois meio campeonato. Ou seja, vamos ter menos jogos, mais decisões e a margem de erro será menor.”
“Mas aquilo que nós vamos procurar fazer, e deixamos muito claro com todos, é que nós vamos ter uma parada exatamente de férias. Vamos depois ter cerca de 30 dias de preparação para o jogo do Internacional, que será o próximo na retomada, onde cada um dos atletas terá e tem um plano específico de trabalho para fazermos manutenção daquilo que é a sua condição. Quero também que eles se desliguem do futebol por alguns dias para poderem desfrutar das famílias, poderem desfrutar de tudo aquilo que não seja futebol, porque é importante também a sanidade mental dos atletas e que possam desligar de toda esta pressão. E nós temos vivido sob pressão, porque quem vem de baixo, as coisas não são fáceis.”
“Mas é prepararmo-nos da melhor forma para que a equipe continue a ter desempenho e possamos voltar a trabalhar bem para podermos atacar a segunda metade e, a partir daí, conseguirmos atingir objetivos que são também hoje nossos objetivos, tendo em conta aquilo que são as nossas ambições.”, disse Artur Jorge.
A falta de efetividade no ataque preocupa?
“Obviamente que nós não estamos satisfeitos, todos nós, por termos criado tanto e não termos conseguido ganhar o jogo, porque estaríamos a falar aqui de coisas bem diferentes se tivéssemos feito um ou dois gols nas quatro, cinco ou seis oportunidades que criamos. Estaríamos a falar de coisas diferentes.”
“Mas tenho que humanizar, dizer que é muito importante para nós criar condições e ter finalizações para conseguirmos fazer gols. Não conseguimos hoje. Temos que perceber o contexto. Sei seguramente que temos isto direcionado mais para o Neyser, que tem tido algumas oportunidades. O movimento está lá, o atleta está lá, trabalha imenso para a equipe.”
“Precisamos melhorar? Precisamos. Não posso estar a esconder aquilo que é um fato que todos nós vemos. E, portanto, nós enquanto equipe estamos aqui para humanizar e para dizer que estamos todos contentes com o que produzimos e insatisfeitos com aquilo que finalizamos.”
“Mas vamos melhorar e é isso que eu disse anteriormente: buscar mais e querer mais e mais para conseguir fazer melhor. E eu quero que o Neyser possa também, e quero que a equipe continue a criar para que possamos ter o Neyser e outros tantos que possam estar dentro da área a finalizar os momentos e as oportunidades que nós conseguimos criar.”, analisou o técnico do Cruzeiro.
Qual o planejamento do Cruzeiro para o mercado de transferências?
“Vou participar a 100%. Temos trabalhado exatamente nesse sentido. Temos um plano definido dentro daquilo que são as condições que estão à nossa disposição e vamos ter que avaliar aquilo que é o mercado de vendas e o mercado de compras. Estão identificados aqueles que nós possamos querer. Temos muitas abordagens também, porque os jogadores, com o desempenho que vão tendo, têm muitos pretendentes. E nós vamos tentar manter a equipe equilibrada e, acima de tudo, tentar que a equipe possa estar preparada para uma segunda metade mais exigente. Não só daquilo que é a classificação, das copas que temos para disputar, mas também da exigência daquilo que possa ser o nosso trabalho, para que nós possamos ser melhores na segunda metade do que aquilo que fomos na primeira.”, comentou Artur.
Há a possibilidade de reavaliar jogadores com poucas chances ao longo da intertemporada?
“Nós vamos ter oportunidade, não no tempo de parada, porque aí estamos fora, mas dentro daquilo que é o período de iniciarmos os trabalhos para pensarmos no jogo do Internacional. Obviamente que nós, com cerca de 30 dias de trabalho, vamos ter oportunidade de fazer alguns jogos particulares, vamos ter oportunidade de trabalhar mais em cima daquilo que é o nosso conceito de jogo e, com isso, vamos ter oportunidade de ter alguns jogadores que provavelmente, nesta altura e face às circunstâncias, não só do campeonato, do contexto que a equipe hoje apresenta, têm pouco tempo ou momentos para se mostrarem.”
“Mas nós estamos bem documentados em relação a isso, sabemos o que temos internamente, sabemos aquilo que cada um pode dar à equipe e temos também aquilo que já falei aqui convosco algumas vezes: a própria equipe sub-20, a nossa base, que nós vamos procurar também integrar, olhando sempre para o mercado, que é o mercado de trazer valor. Poderá ser de fora, pode ser de dentro. Vamos ver aquilo que o desempenho e a competência dos atletas nos poderão trazer à equipe para que nós possamos, dessa forma, no seu todo, eu, o presidente e toda a administração, pensar naquilo que a equipe possa precisar de uma forma mais urgente neste momento.”, disse o técnico do Cruzeiro.