“Ganhou o Cruzeiro”: Artur Jorge exalta vitória sobre o Corinthians; veja a coletiva do técnico
O treinador celebrou o bom resultado e projetou o confronto contra o Flamengo
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Após a vitória do Cruzeiro sobre o Corinthians, neste domingo (16), na Neo Química Arena, o técnico celeste, Artur Jorge, analisou o resultado positivo pelo Brasileirão. O técnico celebrou o resultado, mas destacou a competência dos jogadores dentro de campo, que seguiram à risca o que o comandante solicitou.
“Nós não podemos resumir esta nossa noite aos três pontos, àquilo que é o resultado, que, na verdade, acaba por ser o mais importante e aquilo que fica. Mas, para mim, pessoalmente, muito satisfeito por ter sido uma vitória conquistada em cima de muito querer, de um grande compromisso de toda a equipe, de jogadores que, de fato, hoje trabalharam como eu lhes pedi, como uma equipe, mesmo aqueles que menos tempo têm tido e, portanto, com essa oportunidade, a darem uma grande resposta, a podermos olhar para aquilo que é uma vitória do Cruzeiro.”
“Hoje não ganhou o Artur, nem o A, nem o B. Ganhou o Cruzeiro, que, de fato, foi uma equipe muito competente, num jogo extremamente difícil, muito vivo, na minha opinião, um ótimo jogo de futebol, com duas equipes muito intensas, num ambiente fantástico, e onde ganhamos, fomos eficazes, fomos muito competentes, e esta competitividade que eu quero. Não só interna, para podermos mostrar que temos soluções, ou que devemos ter soluções, porque isso é que acaba por tornar o coletivo mais forte, mas, sobretudo, destacar o comportamento dos jogadores, aquilo que fizeram, a forma como se apresentaram, como, desde o primeiro minuto, souberam lidar com tudo aquilo que era o contexto do jogo, como lutaram até o fim e, merecidamente, na minha opinião, mereceram ganharam hoje aqui.”, iniciou Artur Jorge.
Qual o principal ponto para o time conseguir bons resultados fora de casa, mesmo com um elenco jovem?
“É, eu gosto mais de explicar aquilo que é consistência. Eu digo que é a importância dos resultados, é nós termos a mesma abordagem, a mesma — eu falei nisso há três dias —, de mantermos a mesma identidade e aquilo que são os nossos principais valores, independentemente de jogarmos em casa ou fora. É um adversário, e nós conseguirmos reduzir dentro de nós próprios, reduzir o que temos pela frente, considerando o que temos do adversário. E, portanto, é sobre isso que nós temos que nos debruçar em cada um desses jogos.
“E, de fato, uma equipe muito jovem. Hoje tivemos a oportunidade de ter dois jovens de 18 anos no onze titular, dois de 20 e o Jonathan, o mais velho, com 22. Portanto, cinco jovens jogadores, que a mim também me dá gosto de ver a evolução e o processo de trabalho deles para poderem merecer hoje serem opções também válidas nesta equipe do Cruzeiro, que tem feito, de fato, um percurso muito, muito interessante do ponto de vista de resultados, de desempenho e também da valorização daquilo que são os ativos.”, disse o técnico.
Como manter a concentração e a intensidade com uma sequência tão grande de jogos?
“É um período muito exigente para nós, mas nós temos que nos preparar da melhor maneira, porque eu tenho dito aos jogadores que aquilo que vai mascarando o cansaço e a fadiga é ganhar. É nós termos a capacidade de lutar e de tentar ganhar sempre, porque o ganhar traz-nos uma energia diferente e emocionalmente torna-nos também mais capazes. E nós temos que ter esta ambição e esta predisposição de todos para conseguirmos ter esta intensidade de jogos que tivemos estes dois últimos, que seguramente vamos ter na quarta-feira, que é a nossa primeira final da Libertadores, é já na quarta-feira. E depois, tudo aquilo que é a continuidade no campeonato, onde nós temos vindo muito de trás para a frente e onde queremos, obviamente, também ter e estar bem naquilo que são as quartas de final da Copa do Brasil também.”, afirmou o técnico português.
Como é o trabalho com Otávio, mesmo sendo um goleiro tão jovem e tão preparado?
“De fato, uma grande promessa que nós temos. É um goleiro que saiu da nossa base, esperou a sua oportunidade, o seu momento, que chegou numa fase bastante jovem para ele de poder competir. Ao dia de hoje, e podendo ele já ter feito os jogos que fez, eu não sei exatamente quantos de Libertadores, mas fez os suficientes para poder estar preparado para aquilo que são as dificuldades, porque todos nós temos que saber lidar com a pressão, com a intensidade, com a exigência. E o Otávio, apesar de jovem, tem demonstrado exatamente isto também. E eu já disse que nós vamos e temos a confiança em todos os nossos jogadores para estarem preparados. O Otávio é, de fato, uma dessas mais-valias que nós temos no grupo de trabalho. É um jogador que nós apostamos desde que cá chegamos para poder assumir a baliza do Cruzeiro. Correspondeu, tem dado resposta, tem sido muito competente também. Aqui e ali, nós sabemos que há uma evolução que tem que existir, porque é um jogador jovem e que vai crescer naturalmente com o trabalho, com a sua dedicação, com aquilo que é o seu empenho também. E é um jogador no qual nós acreditamos muito e que está preparado para poder corresponder a tudo aquilo que é exigência, não só dele, mas de todos nós enquanto coletivo.”, comentou Artur Jorge.
Arthur Jorge analisou a solidez do meio-campo do Cruzeiro
“Há um mês e meio atrás, nós estávamos — e digo nós, aquilo que era a opinião pública —, muito preocupados em que o Cruzeiro precisava de um primeiro volante, precisava de um segundo volante, precisava de muita gente ali para o meio. Aquilo que eu digo sempre é que nós temos um processo, temos que, e da minha parte pessoal, existe uma grande confiança nos jogadores que tenho, uma grande admiração também, porque isto não se consegue sem grandes jogadores. Isto não se consegue fazer a campanha que o Cruzeiro tem feito sem grandes jogadores. Uma das coisas que é importante para mim enquanto treinador é potenciar os jogadores, mas potenciar os jogadores quer dizer extrair tudo aquilo de bom que eles têm. Se eles não forem bons, não conseguimos.“
“Não há forma de o fazer. Portanto, eu tenho o meu trabalho de poder potenciá-los. E eles, com a qualidade que têm, sempre tiveram, estão a dar uma resposta muito positiva, não só esse bloco do meio-campo, toda uma equipe, toda uma equipe que eu gosto de considerar sempre do primeiro ao último. E quando digo primeiro ao último, é aqueles que ficaram em BH também, porque fomos todos um grupo de trabalho que cada um de nós contribuiu de alguma forma e em momentos diferentes para a equipe. Mas há uma peça importante que é a determinação, a determinação de podermos ter uma equipe e, particularmente, respondendo objetivamente à questão do meio-campo, onde temos tido alguma variabilidade em termos de opções, e sabemos que temos cinco jogadores para aquela posição específica, o Zé Lucas, o Lucas Silva, o Romero, o Mateuzinho e o Gerson, que são jogadores que, com características diferentes, acabam por nos dar também soluções diferentes, mas que têm sido todos muito importantes para aquilo que é a solidez e, acima de tudo, o motor que a equipe tem demonstrado a partir desse setor do campo.”, disse Artur.
Qual o impacto do resultado positivo sobre o Corinthians para o duelo contra o Flamengo?
“Aquilo que eu espero é que possa ajudar em termos anímicos, em termos de energia positiva, em termos de confiança, porque esta é uma equipe que, trabalhando muito, comprometendo-se com aquilo que é o desafio e as dificuldades que tem pela frente. E disse muito bem, nós hoje tivemos aqui muitas dificuldades de defrontar este Corinthians, que é uma equipe muito boa também, e nós soubemos respeitar essa dificuldade, soubemos também ser uma dificuldade para o nosso adversário, e quando nós temos este tipo de comportamento e quando conseguimos encarar isto de uma forma em que não há impossíveis, não há imbatíveis, nós podemos esperar e trabalhar para a nossa oportunidade, e ela chegando, nós estamos preparados para a agarrar.”, comentou o técnico cruzeirense.
Como é a conversa internamente com Bruno Rodrigues, a fim de dar confiança ao atleta?
“Com todos os jogadores, eu transmito-lhes confiança, transmito-lhes segurança, transmito-lhes, acima de tudo, que são importantes para nós naquilo que são os momentos diferentes do jogo, os momentos diferentes da temporada, e que cada um possa dar o seu melhor em cada treino para poder estar preparado para as oportunidades que elas acabam, mais cedo ou mais tarde, por chegar.”, disse Artur Jorge.
Qual a importância do impacto da entrada do Gerson nessa noite?
“A entrada do Gerson coincide com o gol do Corinthians. Fizemos uma tripla substituição e sofremos gol, ou seja, ninguém tocou na bola e acabamos por sofrer o gol do empate. Mas era a nossa intenção podermos ter, quando fizemos essas substituições, a equipe a continuar aquilo que era o trabalho que vínhamos a fazer com os jogadores anteriores, com o Filipe, com o Zé, com o próprio… Ou seja, nós queríamos conseguir continuidade para nós podermos manter a equipe num bom nível para chegar à baliza contrária. Obviamente que já falamos muito e sabemos todos a qualidade que é, seja o Gerson, seja o Matheus, o próprio Arroyo, os jogadores que entraram e que têm tido um papel muito importante na equipe, e que, a entrar, continuam e mostraram mais uma vez o porquê de serem importantes para nós, para poder manter a equipe num nível alto, ou seja, poder ter a equipe sempre num nível alto e buscar constantemente e ir atrás daquilo que era o resultado e da vitória que nós, desde o primeiro minuto e desde sempre, e aquilo que eu disse também aqui na antevisão ao jogo, dizendo que nós vínhamos cá para ganhar o jogo. E foi isso que passei aos jogadores: nós vínhamos cá para ganhar o jogo e tínhamos que trabalhar e correr muito e sofrer e correr muito também para conseguirmos, dentro depois daquilo que fossem as oportunidades e a nossa competência, poder ganhar.”, disse o técnico.
Como melhorar a bola parada defensiva do Cruzeiro?
“Estamos a falar de bola parada, que no momento, a verdade é esta, nós não temos uma equipe em termos de altura. E isto faz parte daquilo que é de uma fácil avaliação. Nós não temos jogadores todos de 1,90m ou 1,80m. Nós temos uma equipe que, às vezes, ou em alguns momentos, tem, de fato, à exceção dos zagueiros, uma equipe mais baixa. E isso pode também, nesses momentos, ser uma dificuldade. Mas nós tentamos contrariar, porque há formas, não é só uma questão de altura, há também uma questão de atitude, de comportamento.“
“Nós temos melhorado, temos tido… E esta é uma segunda bola, portanto, não é uma primeira bola, uma segunda bola que acaba por ficar ali com o Otávio, embrulhado ali em meia dúzia de jogadores. Mas é para nós um momento em que nós sentimos e sabemos que temos que melhorar e estar, acima de tudo, capazes de contrariar, às vezes, essa falta de altura com outras armas que teremos e temos que ter dentro do campo. E falo, por exemplo, daquilo que é a combatividade e estarmos disponíveis para poder disputar cada uma das bolas quando temos o Zé Lucas em campo ou o próprio Filipe, que são dois jogadores baixos, mas que têm que saltar com homens de um metro e 85 ou 90 para poderem, pelo menos, dificultar a ação dos adversários. E a verdade é que hoje, sim, mesmo sendo uma segunda bola, sofremos mais um gol de bola parada, mas estamos e temos trabalhado muito nisto também, e acho que é notória também a melhoria. Mas, às vezes, há situações, e esta que nos fala da altura, nós não conseguimos estar capazes de, em todos os momentos, dar resposta.”, finalizou Artur Jorge.