Artur Jorge admite fragilidade do Cruzeiro na bola aérea: “Temos que assumir”
O treinador pontuou que o time celeste iniciou o jogo melhor do que na vitória sobre o São Paulo, mas que os erros cometidos resultaram na derrota
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Nesta segunda-feira (12), o Cruzeiro foi derrotado pelo Red Bull Bragantino por 4 a 2, em jogo válido pela 30ª rodada do Campeonato Brasileiro. Em uma noite marcada por um desempenho abaixo do esperado para o time mineiro, o técnico celeste, Artur Jorge, analisou o péssimo resultado fora de casa.
“Realmente, eu concordo consigo que hoje foi um jogo que acaba por ter vida, não só pelos gols, mas também pela proposta de ambas as equipes. Um jogo que é vivo. Claro que quem não consegue o resultado, que foi o nosso caso, não pode estar satisfeito com isso, pela maneira como aconteceu. Estamos frustrados por aquilo que foi a perda de três pontos em um caminho de 24 pontos que faltam para que consigamos atingir o nosso objetivo.”
“Em relação àquilo que era a perspectiva, nós sabemos que isto vai ser ou tem, serão sempre jogos bastante difíceis, jogos em que nós vamos ter que enfrentar adversários competentes também até ao final do campeonato. O nosso objetivo não muda nada. Ficamos, acima de tudo, frustrados por aquilo que foi especialmente a primeira parte nossa, aquilo que jogamos e a dificuldade que é de aceitar a primeira metade que fizemos e estar aos 30 minutos a perder 3 a 0. O detalhe é que pode ter feito a diferença. Para mim, eu acho que hoje o jogo caiu para o lado da eficácia e não para aquilo que foi mais dominante durante os 90 minutos.”, iniciou Artur Jorge.
Por que o Cruzeiro sofre tanto com a bola aérea?
“É, eu acho que não é uma grande explicação que eu possa dar em relação a isso, porque o que é verdade é que nós já detectamos que esse é um problema nosso. Um problema que temos tido. Um problema que tem sobretudo a ver com aquilo que são também os batedores adversários, aquilo que é hoje termos enfrentado provavelmente a equipe mais alta do Campeonato Brasileiro da Série A. E são dois gols muito idênticos, de uma tremenda eficácia. O primeiro e o segundo escanteio, 2 a 0 para o adversário, quando praticamente não tinha chegado à nossa baliza. É difícil tentar arranjar uma explicação. Trabalhamos em cima disso, comportamentos, aquilo que é a capacidade de podermos ter jogadores mais preparados para esse embate. Mas é de fato um momento ou um, e falo momento de jogo nosso que temos demonstrado fragilidade e temos que assumir isso de uma forma muito clara e que hoje nos penaliza. Porque falamos sobre isso também, que esta era uma equipe que aproveitava muito isso, que eram as bolas paradas. E nós, a verdade é que creio que em 15 minutos ou 20 minutos acabamos por conceder dois gols exatamente iguais, dois escanteios diretos para a nossa área, onde o adversário acaba por ser mais forte que nós. É esta a única explicação que lhe consigo dar, lamentando porque de fato não tem sido por falta de trabalho ou do jogador que esteja dentro de campo. Mas é um momento em que nós temos demonstrado fragilidade em relação a isso.”, analisou o técnico estrelado.
Por que o time oscilou tanto após uma boa vitória sobre o São Paulo, até chegar à derrota para o Bragantino?
“Para mim, não há uma oscilação direta em relação àquilo que tem sido ou àquilo que foi a performance. Falando concretamente desses jogos que estamos a falar após esta parada FIFA. Nós fizemos um bom jogo, até me parece que nós hoje fomos mais dominantes na primeira parte do que aquilo que fomos contra o São Paulo. Os adversários são diferentes também. Aquilo que é a proposta de jogo do adversário muitas vezes também acaba por ser condicionante para a nossa exibição. Nós hoje sofremos dois gols de bola parada e duas transições de uma equipe que nós sabíamos que tinha quatro homens sempre na frente, sempre preparados para esse momento, e procurámos ter quatro, cinco, às vezes com o Zé (Lucas), que ficava lá.”
“Oscilação, não sei se perguntou em termos de jogadores. Nós hoje trocámos o Zé pelo Romero, que não estava disponível, e aquilo que foi a troca do Bruno pelo Arroyo, um Arroyo que tinha chegado muito tarde para jogar o jogo anterior, senão até provavelmente tinha jogado. Portanto, não me parece que tenha havido oscilações em relação àquilo que são as peças que temos tido em campo.”
“Até porque hoje volto a dizer, e se quisermos olhar para isto de uma forma justa, e sei que o resultado não vai mudar nem vai acrescentar nada para aquilo que é a tabela e os três pontos, mas a primeira parte o Cruzeiro não pode deixar ninguém insatisfeito por aquilo que foi o trabalho, mas sim pela forma como se comportou defensivamente, com uma transição e dois escanteios que acabam por fazer a diferença naquilo que foi a primeira metade, porque criámos inúmeras oportunidades para fazer, com inúmeros ataques conseguidos com finalizações. Mas, de fato, não era o dia de fazermos mais gols. Fizemos dois, mas foi insuficiente para conseguirmos ter o resultado que queríamos e que procurávamos.”, disse Artur.
Qual o motivo da briga com os torcedores do Red Bull Bragantino?
“Já começamos pelo lado errado, que é algo normal. Para mim, não é normal quando alguém acaba de fazer comentários xenófobos para mim. E eu disse apenas e só para ter respeito, que estava inclusive uma criança ao lado dele, que precisava ser educado, que era um ignorante por aquilo que estava fazendo, por aquilo que era o comportamento, como exemplo de um adulto que sequer tem respeito para poder ser respeitado.”, afirmou o técnico do Cruzeiro.
Qual a leitura para a substituição de Zé Lucas por Matheus Henrique?
“O Zé (Lucas) já tinha demonstrado, antes, no lance anterior, uma cãibra no momento em que fez uma falta, inclusive perto do nosso banco. E era um jogador que nós sabíamos que podia fazer essa transição, mas que era o responsável por ter o comportamento de se juntar à linha de quatro para poder ter o equilíbrio de que precisávamos. Naquele momento, então, entendemos que a troca direta, com a entrada do Matheus Henrique, que também é um jogador com saída de bola e chegada à área adversária, poderia ser feita em função da fadiga que o Zé apresentou e de algumas dificuldades que já estava tendo para recuperar sua posição. Com a entrada do Matheus Henrique, poderíamos continuar desempenhando essa mesma função.”, afirmou Artur.
Por que a escolha de Fabrício Bruno, e não Kauã Moraes?
“A intenção de termos o Fabrício em vez do Kauã (Moraes), quando substituímos o William, foi precisamente ter apenas três homens na construção, três homens que, na maior parte das vezes, ficaram mais atrás. Mesmo com a saída do João Marcelo, mantivemos esses três homens com características defensivas, porque ficámos com o Vinã fazendo o terceiro zagueiro, para podermos ter mais liberdade pelo lado direito, com o Arroyo fazendo todo o corredor, e, pelo lado contrário, o Vinã.”
“Ou seja, podermos, a partir daí, abrir espaços ou criar um espaço mais adiantado para o Gerson, ficando com uma linha de três mais atrás, com três zagueiros que nos podiam garantir segurança defensiva e também vantagens no jogo aéreo, por exemplo. Era tentar estabilizar um pouco a equipe para buscar o resultado e fazer o segundo gol mais cedo, o que acabou por não acontecer. Mas a intenção foi precisamente dar os corredores laterais, num primeiro momento, ao Arroyo e ao Vinã. Num segundo momento, ao Wesley e ao Arroyo, mantendo apenas três homens na defesa.”
“Sabíamos que correríamos riscos e que seriam muitos, mas era necessário, tendo em conta o resultado desfavorável, termos a coragem de assumir esses riscos, porque precisávamos buscar um resultado que acabou por não chegar.”
Quais são os planos para Matías Viña?
“O plano tem muito mais a ver com aquilo que ele possa desempenhar para nós podermos considerá-lo, como temos considerado. O plano foi feito quando ele chegou. Por exemplo, ele não teve os mesmos dias de parada que os colegas, porque ficou na Toca trabalhando para poder ganhar condição.”
“Era um jogador que passou muito tempo sem competir, ou seja, desde a Copa do Mundo, quando jogou, e depois não voltou a jogar até chegar aqui ao Cruzeiro. Naturalmente, é um jogador que sabemos que tem capacidade, pelo que tem demonstrado e pelo seu percurso, mas que ainda não tem condição física suficiente para disputar uma partida de 90 minutos em alto ritmo e com alta exigência.”
“Portanto, estamos aumentando gradualmente essa condição e, sempre que se justificar — não quer dizer que isso aconteça sempre, aconteceu por acaso nos últimos dois jogos —, procurando fazer com que ele também evolua fisicamente para continuar sendo uma opção quando entendermos que assim deve ser.”
E falta de folga. Ninguém vai para um resort para trabalhar.