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“Estamos todos muito desiludidos”: Artur Jorge fala sobre eliminação do Cruzeiro; veja a coletiva do técnico

O treinador explicou as mudanças e analisou as tomadas de decisão em todo o confronto

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Nesta terça-feira (1), o Cruzeiro foi derrotado pelo Atlético Mineiro por 2 a 1 e foi eliminado nas quartas de final da Copa do Brasil. Após o fim da partida, o técnico português, Artur Jorge, analisou o resultado negativo que sacramentou o fim da linha do time estrelado nas copas que disputava em 2026.

“A análise de um jogo que sabíamos todos ser de uma grande importância, não só por se tratar de um jogo de quartas de final de Copa, mas também um jogo contra um rival, portanto um clássico, sempre intenso e de grande exigência. Creio que nós respeitamos aquilo que era a nossa obrigação, vir aqui jogar para ganhar. Tivemos um jogo equilibrado até aos 60 minutos, equilibrado, mas com a vantagem do resultado a nosso favor. A partir da expulsão ficámos evidentemente mais expostos àquilo que era a superioridade numérica e também territorial do adversário, que acabou por nos empurrar para trás, nos obrigou a defender mais vezes, mais perto da nossa grande área e acabámos por não conseguir aquilo que era o resultado que tínhamos então até ao momento da expulsão, repito, quando faltavam 30 minutos para terminar o jogo. Estamos todos muito desiludidos. Estamos também muito desiludidos pela forma como de facto o jogo acaba por mudar de contexto e claro, também lamentar pela desilusão que acabámos por dar à nossa torcida, que não merecia e que nos apoiou do primeiro ao último minuto.”, iniciou Artur Jorge.

A sequência da temporada será uma fase de preparação para a próxima temporada?

“Olha, nós temos obrigatoriamente, e sendo essa a competição que nos resta, de nos empenhar e, nesta altura, exclusivamente 100% nesse campeonato. É importante aquilo que tem sido feito em termos de campeonato, nós sabemos que não chega. Nós sabemos também, a nossa própria exigência também nos obriga a pensar dessa forma. Não é só a exigência que possa vir da torcida, da comunicação social sobre nós. Nós próprios sabemos que, nesta altura, ficar com o campeonato é pouco para nós, mesmo tendo em consideração aquilo que foi o arranque de campeonato e aquilo que está a ser feito nesse mesmo campeonato. Tivemos uma desilusão há duas semanas atrás na Copa Libertadores. Hoje temos que absorver este impacto também daquilo que é esta derrota para a Copa do Brasil e temos que nos focar 100% em busca daquilo que falta deste campeonato para conseguirmos de facto dar continuidade à evolução e também àquilo que tem sido os resultados conseguidos para, como lhe disse há muito tempo atrás, buscar ficar pelo menos nos primeiros cinco classificados. E para isso nós temos que ser imediatamente reativos. Vamos ter já um jogo contra um rival direto nesse campeonato.”

Temos que reagir rapidamente a este momento, temos que saber olhar para aquilo que foi feito e também para aquilo que podemos fazer, para aquilo que podemos fazer a mais, sobretudo. E é dessa forma que eu olho, ou tento olhar. Nesta altura também me é muito difícil olhar para o dia de amanhã, mas quero poder ter a energia, a força suficiente para poder, juntamente com os meus, aqueles que ganhamos e que perdemos, podermos ir em busca do resultado e daquilo que é uma classificação honrosa no campeonato.”, disse o técnico.

Qual a intenção de tirar Matheus Pereira, Kaio Jorge e Gerson?

“Quando nós sofremos essa expulsão, nós ficamos com uma substituição para fazer. Faltavam 30 minutos para o final do jogo. Tivemos um pedido do Gerson para sair, que estava a sentir desconforto e pediu para sair, portanto nós tínhamos que agir imediatamente naquele momento. A ideia de nós foi trocarmos um lateral, que precisávamos ter um lateral esquerdo, trocar diretamente a posição do Gerson pelo Mateuzinho e podermos ter o Kenji que nos fizesse o corredor do lado esquerdo, sendo que era um jogador que iria fechar a equipa numa linha de cinco quando o adversário estivesse mais próximo da nossa grande área, mantendo três homens capazes daquilo que era o que o jogo nos ia proporcionar a nós, que eram transições rápidas, ter homens na frente rápidos para conseguir ganhar as costas da defesa contrária, continuar a ter ou tentar ter verticalidade através destes três homens e podermos dessa forma olhar para a equipa num 5-3-1, se quiséssemos, mas que se desdobrasse de forma a poder manter três homens na frente, ficando dois médios. E tendo aquilo que era também o momento atual de termos uma substituição, tínhamos tomado decisões em função daquilo que eram os 30 minutos de jogo que tínhamos para tentar manter a equipa viva no jogo.”, comentou Artur.

Como essa eliminação impacta no planejamento da temporada e no contrato de Artur Jorge com o Cruzeiro?

Para o contrato não impacta em nada, porque queremos e sabemos que são anos que nós temos que trabalhar arduamente, eu como técnico, os jogadores como atletas, toda a diretoria, para que nós possamos ter de facto sucesso. Impacta neste momento naquilo que é. Eu queria terminar a temporada em 6 de dezembro, já não vai ser possível. Vamos agora ter que nos dedicar arduamente àquilo que é o campeonato. Não é uma tarefa fácil também. Temos que emocionalmente buscar aquilo que é o melhor de nós, a nossa melhor versão, para que possamos ter resultados que nos permitam ter este que foi uma escalada difícil também, mas meritória de equipa no campeonato. E é isso que nos resta nesta altura poder dar o melhor, é olhar para o campeonato com a mesma ambição de sempre, sabendo que não temos outras competições e esta será a competição que nós temos que agarrar daqui até ao final do campeonato.”, afirmou o técnico.

Por que manter Lucas Villalba mesmo amarelado?

“Olhe, porque nós temos que levar e saber levar enquanto equipa também com aquilo que são os cartões amarelos, porque senão seria muito difícil um jogo de hoje. Nós fizemos 13 faltas e tivemos 7 cartões amarelos e, portanto, nós temos que também confiar naquilo que é o que acreditamos que estamos a fazer e na forma como os jogadores se comportam dentro de campo. E teria que tirar o Caio, o Otávio e o Villalba se fosse pela questão do cartão amarelo. Nós fizemos uma substituição direta três, quatro minutos antes, por desgaste do Wesley, mantendo a mesma característica dos jogadores com o Kenji naquele lado esquerdo, e ninguém ganha jogos por lado nenhum. Os jogos ganham-se no seu coletivo, ganham-se naquilo que é a forma como a equipa se movimenta dentro de campo. Hoje e agora será mais fácil dizer que tivemos ali um cartão amarelo, mas volto-lhe a dizer: não tinha que o fazer imediatamente, porque não o fiz com o Otávio, com o Kaio Jorge. Pode-me dizer e responder que defensivamente estávamos mais expostos, sendo que é um lateral, não um atacante. Talvez, mas são decisões que a mim me compete tomar durante os 90 minutos e em todas elas eu posso-lhe dizer que podemos sempre fazer melhor, seja quando a coisa corre bem ou quando corre mal, podemos sempre fazer melhor. E não é o impacto direto naquilo que é a substituição ser feita ou não ser feita. Como lhe disse, como equipa ganhamos juntos, perdemos juntos, e eu cá estou também para assumir a minha responsabilidade e a responsabilidade da comunidade da equipa poder ter a capacidade de o fazer neste momento e perante este jogo.”, analisou o técnico cruzeirense.

Por que não tentar manter os jogadores mais técnicos em campo após a expulsão?

“Olha, a questão de nós ficarmos desconfortáveis, essa é uma situação daquilo que é o momento do jogo. Claro que, obviamente, que o Villalba ficou mais cuidadoso nas suas ações depois de um cartão amarelo, mas parece-me ser demasiado injusto para aquilo que é o trabalho coletivo nós especificarmos aquilo que uma posição ou uma situação possa condicionar o jogo. A questão que eu expliquei de termos jogadores mais técnicos dentro de campo, já expliquei que o Gerson pediu para sair, o Matheus Pereira foi a única opção minha tomada em relação àquilo que era diretamente mudar a característica do jogador, porque na frente metemos um jogador fresco e substituímos um jogador que já tinha também um cartão amarelo, o Caio, para podermos continuar a ter um jogador de referência na área, na frente ser um jogador veloz, capaz de atacar o espaço nas costas da defesa contrária e mantermos, como lhe disse, o Mateuzinho na troca com o Gerson e mantermos o Kenji, que era um jogador que nos podia dar saída e ao mesmo tempo compromisso defensivo para quando fosse necessário fechar a equipa com uma linha de cinco.”, analisou o português.

Qual o papel do técnico dentro das competições das quais a equipe foi eliminada?

“O meu papel é exatamente o mesmo em todas as competições. É liderar um elenco para poder ter uma matriz, uma identidade e procurar ganhar jogos. Portanto, em relação àquilo que podem esperar, é exatamente o mesmo que eu lhe disse anteriormente: quando lhe falo daquilo que é, nesta altura, um objetivo que nós temos pela frente, é o campeonato, e não podemos desvalorizar, não podemos minimizar aquilo que tem sido feito no campeonato, não podemos de forma nenhuma ter memória curta também.”

“Mas dizer-lhe que, nesta altura e infelizmente para nós, para nós e para mais 15 equipas, não temos outra competição que não seja o campeonato. E estou a dizer 15 como referência, podem ser 14 ou 16, não fiz essa conta, não estou a me agarrar aos outros. Estou-lhe a dizer que temos que olhar para o campeonato conhecendo aquilo que é a prova nesta altura que temos para disputar, que é exigente, que nos vai exigir muito, não será fácil para tudo aquilo que é os nossos objetivos e vamos precisar, como lhe disse, de uma reação imediata de toda a gente para que possamos buscar a vitória já no próximo jogo em casa e lamentar aquilo que é hoje e hoje estar aqui a falar que só temos uma competição, que eu lhe estar a falar que temos três, mas não é possível, porque não fomos capazes de superar os rivais que tivemos em cada uma dessas provas.”, finalizou o técnico.

Pedro Reis

Mineiro de Divinópolis, 21 anos. Comentarista esportivo e setorista do Cruzeiro pelo Diário Celeste.

Diego Marinho

Diego Marinho é um jornalista esportivo, especialista em cobertura do Cruzeiro Esporte Clube, também formado em história. Desde 2020 atuando como repórter setorista do Cruzeiro no Diário Celeste.

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