Artur Jorge destaca âconsistĂȘnciaâ do Cruzeiro apĂłs vitĂłria sobre o SĂŁo Paulo; veja a coletiva do tĂ©cnico
O treinador comentou sobre o bom desempenho do time e dos jovens jogadores que estiveram em campo
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Nesta quarta-feira (7), o Cruzeiro venceu o SĂŁo Paulo por 2 a 0, no MineirĂŁo, em jogo vĂĄlido pela 29ÂȘ rodada do Campeonato Brasileiro. Com o resultado positivo, o time celeste entra, momentaneamente, no G-4, zona de classificação direta para a Copa Libertadores. O tĂ©cnico celeste, Artur Jorge, em coletiva pĂłs-jogo, analisou o bom desempenho da Raposa.
“Ă verdade que era um jogo que nĂłs prevĂamos desde jĂĄ muito difĂcil, frente a um adversĂĄrio tambĂ©m de boa qualidade. E onde nĂłs nos preparamos da forma que tĂnhamos que fazer. Ou seja, de podermos ter a mesma capacidade que tivemos no jogo anterior, antes da parada, para vencer um jogo extremamente difĂcil na casa da VitĂłria. Um jogo em que tivemos, no segundo tempo, uma energia muito boa para conseguir superar aquilo que eram os resultados de desvantagem. E era muito importante trazer essa energia para o jogo de hoje. MantĂȘ-la durante aquilo que foi o nosso perĂodo. E, se pudĂ©ssemos, atĂ© reenergizar para podermos recuperar de algum cansaço fĂsico e mental que pudesse existir, e existia, para que hoje nos apresentĂĄssemos aqui da melhor forma e fizĂ©ssemos o que fizemos. NĂŁo sĂł o resultado de destaque, destaque aquilo que foi a competĂȘncia da equipe, aquilo que foi a dominĂąncia, uma equipe que se bateu muito bem e que foi, na minha opiniĂŁo, justamente vencedora daquilo que sĂŁo os trĂȘs pontos do jogo de hoje.”, iniciou Artur Jorge.
Qual a anålise das mudanças no modelo de jogo e a importùncia de bater um rival incÎmodo no campeonato?
“Ă, eu nĂŁo sabia muito dessas estatĂsticas, sĂł hĂĄ pouco antes de entrar aqui soube da estatĂstica de que o SĂŁo Paulo Ă© daqueles adversĂĄrios mais difĂceis em termos de Campeonato Brasileiro que o Cruzeiro normalmente tem. Eu senti isso na primeira volta, perdendo lĂĄ. Mas hoje demos aqui uma resposta muito capaz e acho que, em relação ao jogo, pouco ou nada hĂĄ a dizer-se que nĂŁo seja a vitĂłria justa da equipe do Cruzeiro por aquilo que fez durante os 90 minutos, que foi completamente dominante, criando oportunidades, permitindo algumas, mas destacando-se bem naquilo que foi a intensidade de toda uma equipe, com alguns jogadores a destacarem-se um bocadinho mais. E o Kaio (Jorge) Ă© um bom exemplo disso. Hoje fez um jogo belĂssimo, como tem feito anteriormente naquilo que Ă© a sua disponibilidade tambĂ©m. O Felipe (Morais), que aproveitou muito a oportunidade, mais uma vez, naquilo que foi o tempo que lhe temos dado. Mas uma equipe no seu todo, no geral, a ter exatamente essa vontade, essa garra e essa força para poder agarrar o jogo do primeiro ao Ășltimo minuto.”
“Porque nĂłs sabemos que temos dez jogos pela frente, dez jogos extremamente difĂceis, porque estes dez Ășltimos jogos vĂŁo começar a aparecer alguns resultados estranhos. E digo estranhos no sentido de o Ășltimo ganhar ao primeiro e as coisas se misturarem todas. E Ă© importante que nĂłs possamos ter essa consciĂȘncia tambĂ©m de que temos de estar 100% alerta. Porque nĂŁo podemos de forma alguma facilitar naquilo que Ă© a nossa entrega para um bom desempenho e muito menos em termos de resultado, porque precisamos destes resultados para continuar aquilo que Ă© uma luta que eu jĂĄ disse que vai ser muito difĂcil, vai ser uma luta tremenda, mas onde eu acredito e quero acreditar tambĂ©m que os meus jogadores acreditam que somos capazes de chegar aonde nos propusemos.”, analisou Artur Jorge.
Como a parada para a Data Fifa foi aproveitada, tanto na parte fĂsica quanto mental?
“NĂłs tivemos 17 dias de intervalo entre o jogo VitĂłria e o jogo de hoje. E eu destaco aquilo que Ă© uma preparação que tem que fugir daquilo que possa ser o holofote bobo de se falar apenas e sĂł daquilo que nĂŁo interessa. Foram importantes os dias na Toca, como foram importantes os seis dias de folga que nĂłs tivemos. Porque eu considero que Ă© importante nĂłs podermos estar preparados para dar resposta Ă exigĂȘncia que pomos em cada um dos treinos. Eu digo que nĂŁo Ă© por muito tempo que a gente possa passar no campo ou no CT que as coisas vĂŁo ser diferentes. Ă na qualidade com que nĂłs fazemos aquilo que temos que fazer. E eu acho que isso Ă© que Ă©, para mim, muito importante.”
“E por isso eu digo, eu nĂŁo sigo rebanhos, faço e trabalho em cima daquilo que sĂŁo as minhas ideias, daquilo que sĂŁo os meus conceitos e faço com que a minha equipe possa naturalmente dar o seu melhor. E para dar o seu melhor temos um plano, temos uma planificação, temos uma ideia acima de tudo que passa por isso.”
“Eu digo sempre e hoje disse-o aos jogadores: nĂłs temos que jogar o jogo que temos pela frente. Nesta altura o jogo que temos pela frente Ă© campeonato. NĂŁo podemos nunca esquecer aquilo tambĂ©m que foi o caminho que ficou para trĂĄs. E temos que ter vontade, força e gosto na caminhada que temos a fazer. Mas nĂŁo nos podemos esquecer daquilo que Ă© tambĂ©m desfrutar dessa caminhada. E sĂł quando a equipe estĂĄ viva, estĂĄ energĂ©tica Ă© capaz de poder desfrutar e dar resposta e que as coisas possam sair bem.”
“Hoje saĂram bem. Estamos todos muito felizes pelos trĂȘs pontos e pela resposta que a equipe deu. Mas Ă© para mim muito importante falar outra vez de consistĂȘncia. E acho que em relação ao campeonato vocĂȘs tĂȘm que ser justos com isso e conosco e com o Cruzeiro, sobretudo com os jogadores, que tem sido uma consistĂȘncia muito boa atĂ© agora e nĂŁo podemos agora perder nestes Ășltimos nove jogos, porque estes nove jogos agora vĂŁo decidir tudo, com adversĂĄrios diretos, com equipes que vĂŁo jogar para o que estĂŁo a lutar pelo rebaixamento, equipes que estĂŁo a lutar pelo tĂtulo. Vamos ter de tudo nestes nove jogos e nĂłs temos que dar uma boa resposta para conseguir atingir o tal objetivo que queremos.”, analisou o tĂ©cnico do Cruzeiro.
Qual a anĂĄlise dos jovens jogadores, em destaque Felipe Morais e ZĂ© Lucas?
“Ă engraçado nĂłs estamos a falar de um garoto que tem 18 anos, feito hĂĄ muito pouco tempo, que Ă© o caso do Filipe, e que falamos da importĂąncia dele em termos de jogo. Eu concordo consigo. Acho que foi muito importante aquilo que Ă© o trabalho estratĂ©gico que nĂłs vamos pĂŽr no jogo. Ă um jogador que tem demonstrado desde sempre, desde que trabalha conosco, um crescimento, uma evolução do ponto de vista do entendimento do jogo. Ă um jogador muito inteligente, percebe muito do jogo, daquilo que o jogo pede. Ainda tem os seus erros naturais da pouca idade.”
“E estĂĄ tambĂ©m mais forte fisicamente, o que Ă© importante porque hoje jĂĄ conseguimos ver o Filipe a ter duelos e a ganhar alguns que, hĂĄ uns tempos atrĂĄs, eram mais difĂceis para ele. Logo no inĂcio, talvez no Curitiba, que foi a estreia, era mais difĂcil para ele, perdia algumas bolas. Mas estĂĄ mais forte, Ă© um trabalho tambĂ©m feito com o departamento de fisiologia, da academia, para podermos tambĂ©m potencializar esse nĂvel de valĂȘncia nos atletas. E fez um jogo hoje tremendo, muito dentro daquilo que nĂłs querĂamos e com uma particularidade, Ă© que nĂŁo para de correr. Ă um garoto que entrega tudo aquilo que tem ao jogo e, portanto, quem Ă© o treinador que nĂŁo quer isso? E isso ganho eu hoje no desempenho que ele traz. Ganha o Cruzeiro de ter um jovem jogador, um ativo valiosĂssimo como se estĂĄ a tornar o Filipe. E ganha o futebol porque estamos aqui a acompanhar o despontar de um jovem talento que seguramente, continuando assim, vai ter mundo.”
“O ZĂ© (Lucas) Ă© exatamente a mesma coisa. Era um jogador que veio de uma viagem, com trĂȘs jogos de seleção tambĂ©m, nĂŁo jogando todos, mas tendo minutos na seleção sub-20. Hoje, provavelmente, um bocadinho mais Ă procura do ritmo que obriga, porque Ă© uma viagem sempre, sĂŁo treinos diferentes, Ă© tudo muito diferente daquilo que acaba por acontecer. Mas entrou muito bem e, infelizmente, entrou por um problema fĂsico do Romero. Mas Ă© um jogador em que nĂłs tambĂ©m acreditamos.”
“E eu falei esta semana para alguns colegas vossos da comunicação. Eu disse que nĂłs temos um elenco com 50% de jovens jogadores abaixo de 23 anos. Portanto, Ă© parte do trabalho daquilo que Ă© o processo para nĂłs conseguirmos criar um elenco que ganhe, mas tambĂ©m que possa ganhar em termos daquilo que Ă© a valorização individual de cada um dos seus atletas.”
A situação de Arroyo preocupa?
âSĂł cansaço. Ele vem com um fuso horĂĄrio diferente. Chegou a TĂłquio hoje Ă uma e meia da manhĂŁ. NĂŁo cumpriu as rotinas da manhĂŁ porque nĂłs o dispensĂĄmos disso para descansar, para dormir. E estava muito cansado. NĂłs sabemos que, eu nĂŁo sei, mas falĂĄmos em 30, 25 minutos, nĂŁo sei se foi mais ou menos o que ele jogou, era aquilo que tĂnhamos preparado para ele, porque sabĂamos que era um jogador que ia estar nessa condição de cansaço pela viagem mais o fuso horĂĄrio, toda aquela mudança. Acabou, mas era sĂł isso, nada mais que isso.â
Qual o motivo da escolha de Bruno Rodrigues entre os 11 titulares?
“O Bruno traz-nos muita variabilidade. Ă um jogador que, dentro daquelas posiçÔes, e eu digo as quatro posiçÔes da frente, ou seja, tombado para a esquerda ou para a direita, atrĂĄs do ponta de lança ou atĂ© mesmo ponta de lança. JĂĄ jogou comigo tambĂ©m como um nove. Faz isso porque se entrega muito ao jogo. Ă um jogador que, de fato, tem essa particularidade. Ver o Bruno treinar, treina sempre muito bem e nĂŁo joga sempre. E fica muitas vezes de fora tambĂ©m sem jogar. Mas mantĂ©m a sua consistĂȘncia de trabalho, ou seja, Ă© a seriedade de um profissional que se prepara para estar preparado. Depois depende do treinador aquilo que possa escolher.”
“Hoje a ideia do Bruno tem a ver um bocadinho mais com a necessidade atĂ©, estrategicamente, de desviar o Matheus (Pereira) para um corredor, para a direita. E por quĂȘ? Porque, precisamente, pensando naquilo que eram os trĂȘs zagueiros que o SĂŁo Paulo tem apresentado…”
“Dessa forma, tambĂ©m poupar o Matheus desse desgaste fĂsico para que pudesse estar bem no momento em que nĂłs precisĂĄssemos, quando da decisĂŁo e termos bola. E acabou por ter sucesso porque tivemos tambĂ©m muito tempo a bola. NĂŁo deixĂĄmos muito daquilo que era a construção do SĂŁo Paulo.”
“Fizemos e procurĂĄmos ter muita intensidade na pressĂŁo para nĂŁo dar hipĂłtese dessa mobilidade. E acabou o Bruno por fazer tambĂ©m um bom jogo do ponto de vista defensivo, mas tambĂ©m no momento em que aparecia mais prĂłximo do Kaio (Jorge) para ser o segundo atacante, quando nĂłs tivĂ©ssemos bola e pudĂ©ssemos ter dois homens a fixar os trĂȘs zagueiros do adversĂĄrio.”, analisou Artur.
O bom desempenho de Felipe Morais e Zé Lucas aumenta a confiança em lançar jovens jogadores?
âTranquilidade nĂłs temos que ter sempre em relação Ă quilo que confiamos, no que temos e, sobretudo, estarmos respaldados para podermos saber que este Ă© o nosso contexto. NĂłs temos que, nĂłs internamente, nĂŁo sĂŁo vocĂȘs, nĂłs temos que avaliar aquilo que temos para poder tirar o mĂĄximo proveito e o melhor proveito daquilo que temos Ă disposição, seja no plantel, da equipe, no elenco, da equipe principal ou no elenco dos sub-20 tambĂ©m. Esses dois jogadores nĂŁo lhes garantem rigorosamente nada. Se vĂŁo jogar mais vezes nestes nove jogos. Aquilo que Ă© importante para mim Ă© que, quando no momento em que sĂŁo chamados e tĂȘm a oportunidade, que correspondam.”
“E isso Ă© um ponto importante, sendo que faz parte tambĂ©m, e isto aqui nĂłs nĂŁo temos, nĂŁo podemos olhar muito Ă questĂŁo da idade, porque depois na idade nĂłs muitas vezes vamos buscar a maturidade. Mas temos, e esses sĂŁo dois bons exemplos de jogadores com qualidade e com maturidade para a idade que tĂȘm e que nos garantem desempenho e bom rendimento quando tĂȘm tido a oportunidade de jogar.”, finalizou Artur Jorge.