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Após derrota do Cruzeiro, Artur Jorge cobra eficiência e diz: “Não soubemos ganhar”; veja a coletiva do técnico

O treinador comentou sobre a necessidade de voltar ao mercado para reforçar o elenco

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Após a derrota do Cruzeiro para o Botafogo por 1 a 0, neste domingo (26), o técnico celeste, Artur Jorge, analisou o confronto. O português destacou a falta de eficiência ofensiva da equipe e voltou a apontar as bolas paradas como um fator determinante para o resultado final.

“A análise, para mim, é muito simples. Posso dizer que nós, enquanto resultado, temos de estar todos desiludidos; todos aqueles que somos cruzeirenses estamos desiludidos. Este foi um jogo em que não soubemos ganhar. E não soubemos ganhar porque não aproveitamos aquilo que criamos.”

Voltamos a falhar muitos gols para aquilo que produzimos e sofremos mais um gol de bola parada. Ou seja, mesmo concedendo poucas oportunidades ao adversário, um lance de bola parada, mais uma vez, nos penalizou e acabou por dar vantagem ao adversário. Depois, tudo acaba por ser o lance que é determinante para o jogo, já que o resultado foi desfavorável para nós.”, iniciou Artur Jorge.

O elenco será suficiente para a sequência da temporada?

Dizer-lhe que o poder ir longe é aquilo que é realidade e expectativas. E não sei qual é a vossa expectativa. Eu tenho a minha realidade e tenho também a minha expectativa, que é mais próxima, se calhar, uma da outra.

A verdade é que nós tivemos hoje jogadores ausentes importantes na equipa. Dei dois exemplos, e eu acrescento o Pec também, que estava fora. O próprio jogo, o contexto, levou-nos para uma situação de termos duas substituições por lesão. Ou seja, tivemos o Sinisterra e tivemos também o Fabrício (Bruno), que pediu para sair. E isto não servirá nunca de desculpa. Não sou esse tipo de treinador ou de pessoa, mas é uma realidade, é um facto.

E depois, naturalmente, ficamos menos competitivos, porque acabamos por ter menos opções, menos soluções. E acabamos por também descer um pouco daquilo que é o nosso nível de desempenho. Hoje não creio só que tenha sido isso, porque o desempenho, não tendo sido brilhante ou excelente, volto a dizer, criou muitas oportunidades para fazer gol, tivemos, defensivamente, na maior parte do jogo, bem, e o jogo, depois, na parte final, partiu-se, se quisermos. E eu vou dizer que tivemos cinco ou dez minutos, a seguir à saída do Sinisterra, em que oscilámos emocionalmente e também em termos de organização.

Na segunda metade, entrámos muito bem no jogo, voltámos a criar oportunidades, voltámos a falhar gols na cara do goleiro, dentro da área adversária. É, de facto, uma realidade que temos tido nos últimos tempos, e com um volume também ele de muita chegada à baliza contrária. Mas o futebol é mesmo isto: não marcando e sofrendo, vamos ter o resultado que não queremos. E o resultado que não queremos é exatamente este, aquele que tivemos hoje: uma derrota que nos custa muito, porque, não tendo nunca a desculpa do que quer que seja, hoje eu diria que nós não soubemos ganhar o jogo.”, disse Artur Jorge.

Com a lesão de Sinisterra, o Cruzeiro voltará ao mercado?

“De fato, queremos aumentar as nossas expectativas. Temos de, na realidade, reforçar, porque perdemos jogadores importantes, e o caso do Pec é o de um jogador que nós contratamos e do qual não tivemos mais do que 70 minutos de utilização. Precisamos de olhar para dentro, porque o Sinisterra vamos avaliar qual é o grau de gravidade da lesão. Se, de facto, quisermos e pudermos ter mais equilíbrio, qualidade e também maiores expectativas em relação às competições que disputamos, nesta altura estamos curtos.”, afirmou o técnico celeste.

Opção de não utilizar Zé Lucas

Porque o Zé Lucas chegou há 24 horas do jogo. O trabalho, que não é meu, mas da diretoria, foi excelente para conseguir inscrever o jogador a tempo, para que pudesse ser mais uma solução. Ele foi relacionado para ser uma opção durante os 90 minutos, mas, com o tempo, entendi que não era opção em nada, tendo em conta aquilo que estava a ser a realidade do nosso jogo.”. afirmou Artur.

Por que seguir insistindo em jogadores que não rendem? Por que não utilizou os jovens jogadores da base?

Nós fomos a jogo com aquilo que temos, aquilo que é relevante do elenco que temos nesta altura. E não gosto de classificar sobre os jogadores titulares ou suplentes, são os jogadores do Cruzeiro que nós tivemos e que levamos a jogo hoje. As opções são da minha responsabilidade, obviamente. Procuramos e tentamos fazer com que tivéssemos mais sucesso do que aquele que tivemos.”

“E, quando me perguntam objetivamente sobre aquilo que são as opções dos jogadores mais jovens, numa situação num jogo destes, não me parece a mim ser a melhor opção colocar um jovem jogador numa situação que pode ser arriscada, dependendo da forma como ele entrar em campo. E acho que nós não temos essa necessidade, nesta altura, de estar a abortar aquilo que é a potenciação desses jovens jogadores.”

“Jogadores em que eu acredito pessoalmente, entendi que hoje, dentro daquilo que foram as opções tomadas, e as opções tomadas, não sei se me está a falar do 11 inicial ou mesmo dos jogadores que entraram na segunda metade, neste caso até na primeira, porque tivemos um gol na primeira, mas são opções válidas para mim. Mas que, a seu tempo, como lhe sempre disse, no seu tempo e no tempo certo, vão ter a sua oportunidade.”

Hoje não pareceu que fosse a oportunidade, tendo em conta aquilo que era o resultado adverso e entregar essa responsabilidade a jovens jogadores, e jovens jogadores, estou a falar de jogadores abaixo de 19 anos.”

“E quando nós falamos de base, estamos a esquecer que o Jonathan é da base, o Otávio é da base, o Kauã é da base, jogadores que jogaram da base e que têm jogado. Outros estão à espera da oportunidade e daquilo que é o seu período de maturação e de prontidão para poderem dar o contributo à equipa.”, afirmou Artur Jorge.

Expectativas para a temporada do Cruzeiro

Eu não perdi o otimismo. Não faço confusão nenhuma. Mas, antes da sua pergunta, eu digo já: eu não perdi o otimismo. Eu estou chateado hoje, claro que estou. Óbvio que estou. Mas não perdi o otimismo. E eu não tenho memória curta. Não vou agora criticar uma equipa que está, ao meu ver, voltar a perder, e temos que ter alguma moderação nisso. E eu estou-lhe a dizer que não estou; hoje estou chateado. Agora, não quer dizer que tenha perdido o otimismo, porque continuo a acreditar e vamos ser competitivos nas três competições que temos pela frente.”

“Depende um bocadinho daquilo que me possam ter e me apresentar para mim a realidade. Obviamente que eu quero sempre o melhor para o clube. Quero, e foi esse o esforço que fizemos na altura para podermos reforçar a equipa, e reforçamos num primeiro momento com o (Gabriel) Pec, depois com o Gabriel (Rojas), que foi aquele que veio, no fundo, tapar uma saída do Kaiki. Agora chega o Zé Lucas. Portanto, tudo isto é importante para nós podermos ter, dentro das nossas possibilidades, volto a dizer, já o disse aqui também convosco, dentro das nossas possibilidades, acrescentar valor à equipa.”

“Portanto, eu continuo a estar otimista e estou pronto para desafios. Hoje, óbvio que o resultado me pesa mais, mas amanhã é um outro dia, e amanhã cá estaremos para poder voltar a trabalhar e continuar aquilo que é o nosso trabalho, e depois esperar também que possamos avaliar aquilo que é nesta altura, porque diria que, ‘ah, não precisamos mais de ninguém’, mas se perdemos o Sinisterra, se calhar precisamos. Depende um bocadinho do que é que nós vamos conseguir fazer.”

“E, nesta altura, não é fácil. Não é fácil por aquilo que é a necessidade de algum investimento, a necessidade de encontrar jogadores disponíveis para poder vir. Portanto, isto é tudo uma janela de oportunidade que nós temos que avaliar e perceber até onde podemos ir e de que forma é que nós conseguimos. Portanto, isto não há de ser o maior mal, não há de ser um problema que nós vamos criar aqui dentro, mas sabemos que temos necessidade, nesta altura, face àquilo que têm sido as baixas, de poder encontrar alguma solução e alguma alternativa. E vamos trabalhar nesse sentido, temos gente capaz para poder fazer isso e é isso que vamos fazer.”, disse Artur.

Qual o motivo da escolha de William e de Kauã Moraes?

“Nós procuramos mudar os corredores laterais, porque nós somos uma equipa que utiliza muito e exige muito dos jogadores que ocupam as laterais. A partir do momento em que perdemos duas paragens para duas substituições por lesão, ficamos condicionados depois naquilo que possam ser as apostas. E, portanto, aproveitámos para meter o Arroyo no momento da saída do Fabrício também.”

“E chegámos ao momento do jogo em que tens uma paragem. E, nessa única paragem, com duas substituições para fazer, nós olhamos e percebemos que, por exemplo, poderíamos ter mexido no meio, onde o Matheusinho e o Romero estavam a ficar mais desgastados, mas ainda assim mais capazes do que sentimos o Fagner e o Gabriel (Rojas).”

“E, nesse sentido, tentamos, para podermos dar continuidade em busca do resultado, dar mais profundidade com o William e com o que são os jogadores que têm trabalhado como alternativa aos dois jogadores que foram substituídos. E, portanto, com uma paragem só, não tem a ver com… porque isto, nós fizemos a substituição aos 30 minutos da segunda metade. Portanto, com 15 minutos, mais os acréscimos, de 20 minutos para o fim. Parecia-me importante também não ficar completamente exposto numa altura em que a equipa contrária estava a meter jogadores rápidos para jogar apenas e só em transição.”

Não parecia oportuno, naquela altura, estarmos a ficar com menos gente cá atrás, sofrer um segundo golo e acabar o jogo mais cedo do que aquilo que fosse nós lutarmos até o último minuto. Creio que assim acabámos por lutar até o último minuto, projetando um pouco mais o William pela direita e o Kauã pela esquerda, para podermos, dessa forma, ter largura e gente na profundidade nos corredores laterais para fazer chegar a bola à área, onde apareceu muitas vezes o Bruno, onde aparecia o Kaio sempre, e onde depois queremos também que o Arroyo e o Wanderson pudessem aparecer. Ou seja, podermos ter esses seis homens que aparecessem em zonas de finalização. Portanto, a ideia foi apenas e só essa, sempre em cima daquilo que é acrescentar e não por dúvida daquilo que não fazemos.”, finalizou Artur Jorge.

Pedro Reis

Mineiro de Divinópolis, 21 anos. Comentarista esportivo e setorista do Cruzeiro pelo Diário Celeste.

Diego Marinho

Diego Marinho é um jornalista esportivo, especialista em cobertura do Cruzeiro Esporte Clube, também formado em história. Desde 2020 atuando como repórter setorista do Cruzeiro no Diário Celeste.

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