Artur Jorge critica atuação do Cruzeiro após vitória sobre o Remo: “Não foi um jogo brilhante”; veja a coletiva do técnico
O técnico também respondeu aos questionamentos sobre o clássico contra o Atlético, na próxima rodada
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Nesta sexta-feira (23), o Cruzeiro recebeu o Remo, no Mineirão, em jogo válido pela 32ª rodada do Campeonato Brasileiro, e venceu por 1 a 0. O gol da Raposa foi marcado no final do primeiro tempo por Fabrício Bruno, que subiu de cabeça e marcou o único gol do confronto. Após o fim da partida, Artur Jorge, comandante celeste, analisou o bom resultado dentro de casa, mas afirmou que o desempenho não foi como gostaria.
“Olha, resumidamente, em relação a este jogo, acho que vale pela vitória. É um jogo que reproduz, em termos práticos de exibição, uma noite mais desinspirada do que o costume, mas o suficiente para ganharmos e valorizar aquilo que é mais uma vitória, mais uma vitória para continuarmos com o nosso percurso. O campeonato está chegando ao fim, precisamos ganhar, precisamos de consistência. Hoje não foi um jogo brilhante da nossa parte, mas foi uma vitória muito, muito importante num jogo difícil, volto a dizer, porque todas as lutas são dignas e nós lutamos por um objetivo, o Remo luta por outro objetivo diferente do nosso e cada um tem as suas metas. Nós conseguimos hoje somar três pontos para conseguirmos atingir essa nossa meta.”, iniciou Artur Jorge.
Qual a importância do gol marcado por Fabrício Bruno?
“Eu acho que aquilo que eu quero e devo destacar aqui é exatamente isso, é cortar mais um jogo em cima de uma vitória para conseguirmos aquilo que é um objetivo que temos e que sabemos que é um objetivo difícil de chegar lá, mas vamos continuar nesta luta. Estamos bem posicionados, nada garantido, mas aquilo que é importante para nós é cortar este jogo com uma vitória. Quem marca, quem não marca, para mim, é imediatamente indiferente e da forma como o fazemos. O que eu quero é ganhar, ganhar três pontos, somar e dizer a vocês outra vez que foi uma vitória bem conseguida, ainda que hoje tivéssemos que sofrer um pouco mais e ter menos bola e correr mais do que aquilo que talvez fosse esperado, mas eu sabia, porque não há jogos fáceis e é importante voltar a insistir e a destacar: boa vitória para que nós possamos continuar aquilo que é o nosso caminho.”, disse o técnico celeste.
O que foi feito para a melhora no jogo aéreo da equipe?
“Não, não está acontecendo nada, está acontecendo aquilo que temos sido mais felizes naquilo que são toques na bola, aquilo de conseguir atacar o gol adversário. Fizemos, de fato, dois gols, em três, no jogo anterior fizemos um de escanteio, hoje o jogo se decide com um escanteio. Nós sabemos que estes são momentos muito importantes no jogo, seja ofensivamente ou defensivamente. Já falei muito sobre isso também. São momentos que muitas vezes definem resultados, hoje definiu a nosso favor, mas é um trabalho de continuidade e de exigência para podermos melhorar. Hoje fizemos, temos que continuar a melhorar para não permitir ao adversário e tentar nós continuarmos a marcar, porque todos os momentos são importantes, o momento de organização defensiva, da organização ofensiva e daquilo que possam ser as bolas paradas ofensivas e defensivas para que nós possamos estar concentrados, focados. Hoje fomos felizes, fizemos o gol a partir daí, mas é apenas e só isso.”, afirmou Artur.
Qual a importância de uma vitória sobre o Atlético na próxima rodada?
“Para mim, não traz nada (fantasmas). Para mim, é uma consciência daquilo que é o trabalho feito. Isso que leva a manter. O próximo jogo é mais um jogo, são três pontos que estão em disputa. Eu sei da importância que possa ser a questão de um clássico, porque tem um impacto emocional e até social diferente. Mas, para mim, aquilo que é importante é esta consistência de resultados. Claro que eu quero estar no clássico jogando para ganhar e ganhar o jogo. Isso não há dúvida nenhuma. Mas, para mim, não me traz fantasmas, não me traz rigorosamente nada, porque é um caminho feito daquilo que são resultados e consistência. A consistência é que nos leva a atingir objetivos, é que nos leva a conseguir aquilo que é. Porque não é ganhar o jogo X ou ganhar o jogo Y. Nós temos que ser consistentes e aquilo que é importante para mim neste momento é poder fazer um bom trabalho, um trabalho que tenha aqueles números que eu aqui defini, aquilo que é o resultado de 24 jogos com 16 vitórias. É isto que nós temos que fazer. Não é ganhar um clássico e depois perder todos os outros. Nós temos evidentemente… Eu também sei o que isso é, desde há muito tempo, a importância do que são os clássicos, o impacto que têm emocional, com uma cidade viva, com uma torcida viva também em tudo isso. Vamos dar o nosso melhor para poder encarar esse jogo, mas hoje a prioridade era o Remo, sem dúvida nenhuma. E vimos hoje a equipe preparada para disputar e para ganhar este jogo. Agora vamos pensar no próximo. Amanhã, quando vamos treinar, amanhã às 10 horas da manhã vamos ter treino outra vez e, quando estivermos treinando, vamos começar a preparar o jogo frente ao nosso rival.”, afirmou Artur Jorge.
A pressão por resultados
“Acho que é uma cobrança, é global. Nós podemos depois ter pontos mais altos ou menos altos, mas é uma cobrança que é constante em todo lugar, e o Brasil tem essa particularidade, porque eu já disse aqui: o Brasil tem um dos povos mais apaixonados pelo futebol. Nós temos estádios cheios porque as pessoas têm paixão pelo jogo. E temos as torcidas que enchem. Hoje não tivemos um estádio cheio, mas eu senti a paixão desta torcida. Voltei a sentir aquilo que é a paixão da torcida. E essa exigência me traz responsabilidade apenas e só. Porque não há ninguém que seja mais exigente do que eu sou para mim próprio, do que aquilo que eu sou para a minha equipe. Portanto, eu entendo a exigência e sei que ela existe aqui e em qualquer outra parte do mundo. Nós temos que saber lidar com ela, temos que saber daquilo que é o caminho que fazemos, temos que estar muito seguros internamente daquilo que é o caminho e aquilo que é a trajetória que fazemos. Nós não podemos nunca esquecer.”
“Nós sabemos aquilo que foi feito há um mês, há dois, há três, porque é importante nós sabermos que temos um caminho pela frente. Hoje o meu caminho é muito simples. Eu tenho seis jogos para conseguir garantir aquilo que é uma vaga direta na Libertadores. O meu, quando digo meu, do meu time, do Cruzeiro. Nós temos isso. Mas eu não me esqueço, nem nós nos esquecemos daquilo que foi a trajetória que fizemos até aqui. Com dificuldades, com conquistas, tudo isso faz parte daquilo que é quando nós olhamos para uma temporada inteira: como começamos, como terminamos, como é que foi a trajetória pelo meio, quais obstáculos nós superamos, quais aqueles que não conseguimos superar, o que é que nós temos que fazer melhor, o que é que nós temos que poder evoluir, crescer. Mas a exigência, volto a dizer, para mim não é nunca maior de ninguém, de ninguém, de torcida, de comunicação, ninguém, do que aquilo que eu coloco de exigência para mim no meu trabalho em relação ao meu profissionalismo e à seriedade com que encaro cada desafio.”, analisou o técnico do Cruzeiro.
O que não funcionou nesta noite contra o Remo?
“Eu sabia que o Remo ia vender caro o ponto, porque o Remo é a equipe que mais empatou na Série A do Brasileirão. Portanto, é uma equipe que acaba por ter ali resultados muito equilibrados, digamos, para aquilo que são as suas aspirações. O que a mim me falta é que nós, na primeira metade, demos espaço demais ao adversário para pensar, para poder decidir. Isso nos desgastou e acho que nós pagamos a conta na parte final, onde tínhamos a equipe que se sentia mais desgastada, por aquilo que foi a obrigação das distâncias que acabamos por correr para conseguirmos encaixar marcações, porque fomos sempre mais reativos do que proativos. Demos sempre algum tempo para pensarem, para poderem ter bola, para decidirem. E isso, quando acontece, hoje, seja o primeiro, seja o último, a mobilidade é grande e a qualidade dos jogadores também, e isso nos causa dificuldades. E foi sempre este o meu alerta durante a semana e durante o dia de hoje para aquilo que era essa dificuldade de um jogo que poderia ser, muito na teoria, fácil para nós, mas eu tinha a certeza, e comprovou-se, de que não era um jogo fácil na prática para nós podermos executar.”, disse o técnico do Cruzeiro.
As vaias direcionadas a Gerson na sua saída de campo foram justas?
“Eu concordo com o apoio, com o elogio e com a satisfação em cima dos resultados. E hoje é um resultado positivo para nós, uma vitória e seguramente para a nossa torcida ficar contente.”, disse Artur.
Qual seria o maior ponto de destaque para a recuperação do Cruzeiro na tabela do Brasileirão?
“Eu acho que ainda é um pouco cedo para fazermos um balanço. Estes seis jogos que faltam vão definir muito daquilo que é este final de temporada para o Cruzeiro. Claro que nós hoje estamos satisfeitos porque, em termos de campeonato, demos um salto, eu diria, qualitativo, mas também na classificação enormíssimo, enormíssimo. Mas há muita coisa que podemos ter feito melhor. Não podemos, e volto outra vez à exigência, não podemos ficar satisfeitos em cima daquilo que é feito, porque este ano, de fato, fizemos esta sequência para hoje estarmos onde estamos, mas isso também era de todos os jogadores, daquilo que é estarmos brigando por objetivos maiores. Eu disse desde o primeiro dia em que aqui cheguei que o Cruzeiro tinha qualidade individual dentro do seu elenco, tinha, e precisava aumentar a qualidade coletiva para conseguir lutar por feitos maiores. Os jogadores trabalharam, se empenharam, têm dado tudo para podermos hoje estar na briga em que estamos. Agora podemos e temos coisas para fazer melhor, seguramente, porque ninguém pode estar satisfeito com aquilo que se faz. De outra forma, nós chegaríamos ao fim da linha.”, analisou o técnico do Cruzeiro.
O jogo contra o Atlético contará com uma preparação diferente dos últimos jogos?
“Não, têm que ser tratados da mesma forma. Vamos lá ver. Provavelmente, e a verdade é que já são duas questões que me fazem, provavelmente para o público externo tem um destaque maior. E eu entendo e estou aqui também para poder alimentar aquilo que seja a curiosidade de vocês. Mas, para mim, pessoalmente e internamente, não muda rigorosamente nada. E volto a dizer: o próximo jogo vale os mesmos três pontos que também estavam em disputa nestes jogos. É um jogo extremamente importante também para aquilo que é a nossa ambição. É de fato contra um rival direto da cidade e, portanto, isso tem uma dimensão maior. Mas, em termos práticos, eu quero e vamos fazer aquilo que é a preparação exatamente da mesma forma, porque não há jogos que eu possa preparar de uma forma diferente, como se não fosse para ganhar. Não o fazemos. Este será mais um em que nós vamos, a partir de amanhã, volto a dizer, treinar para começarmos a preparar a equipe para estarmos capazes, competentes e, acima de tudo, tentarmos ser melhores que o adversário para ganhar o jogo. Só isso.”, disse o técnico do Cruzeiro.
Houve uma orientação aos jogadores para evitar cartões na partida contra o Remo?
“Não. Nada.”, finalizou o técnico do Cruzeiro.