“Poderia ter sido bem mais largo”, diz Artur Jorge sobre vitória do Cruzeiro no clássico; veja a coletiva
O treinador analisou a vitória nessa noite
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Nessa quinta-feira (29), o Cruzeiro venceu o Atlético por 1 a 0, em jogo válido pela 32ª rodada do Campeonato Brasileiro. Após o fim do confronto, o técnico Artur Jorge analisou o resultado positivo sobre o rival. Apesar dos elogios, o treinador considerou o placar pequeno diante de tantas oportunidades. O treinador aproveitou a oportunidade para parabenizar a equipe feminina do Cruzeiro, que está na final da Copa Libertadores.
“Boa noite a todos. As minhas primeiras palavras vão para a nossa equipe feminina. Aproveitar para dar os parabéns a elas pela campanha feita nesta Copa Libertadores. Desejar também muita sorte na final. Têm feito, de fato, uma campanha de Libertadores extraordinária.”
“Sobre o jogo, eu acho que foi um jogo muito consistente da nossa parte. Muito forte na entrada, muito forte na saída, grande consistência naquilo que foi o nosso desempenho. Frente a uma equipe difícil, é verdade, mas em que nós hoje fomos, demonstramos claramente ser justos vencedores. Diria mesmo que ficou barato este resultado porque tantas foram as oportunidades e aquilo que criamos que, não colocando em causa sequer a nossa vitória, digo que não saio plenamente satisfeito porque não fomos tão eficazes. Poderíamos ter sido, pelas oportunidades criadas, e com isso acabamos por ter um resultado magro para aquilo que foi o comportamento e a exibição, o desempenho deste Cruzeiro.”, iniciou Artur Jorge.
Convocação de Jonathan Jesus e a mudança de lado entre os zagueiros
“O Jonathan é mais um dos jovens valores que nós temos na equipe, que tem feito uma campanha de grande ascensão, que se afirmou na equipe a partir do momento que eu aqui cheguei. Sabíamos que mais cedo ou mais tarde iria estar nos planos da Seleção Nacional. Não esteve na última convocação por lesão. Esteve só na pré-lista. Hoje chegou o prêmio merecidíssimo para aquilo que é um jogador de grande, e denominíssimo potencial para a posição específica.”
“A inversão tem a ver com aquilo que era nós pensarmos hoje ter um zagueiro que pudesse encurtar mais do lado direito. E quando digo encurtar era poder avançar sobre uma linha dos jogadores que normalmente o adversário usa para poder vir de fora para dentro com o seu ponta. E nós, dessa forma, achamos que o Jonathan era o jogador mais rápido, mais explosivo para fazer esse encurtamento e não permitir que houvesse nenhum jogador livre naquilo que era o nosso espaço interior.”, afirmou o técnico do Cruzeiro.
O que faltou para o Cruzeiro sair com uma goleada nesta noite?
“É, se a eficácia estivesse hoje próxima daquilo que já tivemos, acho que poderíamos ter, de fato, esse resultado. Mas temos que valorizar aquilo que é o trabalho feito, a consistência, aquilo que foi o desempenho coletivo. Vimos uma equipe hoje muito solidária, uma equipe que encarou o jogo com uma grande seriedade também. Uma equipe que soube, sobretudo na segunda metade, nos momentos em que tivemos que sofrer um pouco, sofrer de forma unida, conjunta e capaz. Três pontos muito, muito importantes para aquilo que é o nosso objetivo. Garantir aquilo que é a consistência de mais uma vitória, de mais um resultado positivo, merecido também pelo jogo que fizemos, pela dignidade que demonstramos dentro de campo para poder deixar os nossos torcedores satisfeitos.”
“Sabemos daquilo que é um clássico, um jogo que tem estas características e em que seguramente nós jogamos também por eles. Sentimos o seu apoio. Como disse há algum tempo, é importante estarmos sempre unidos para conseguirmos atingir objetivos. E hoje acho que, dentro de um conjunto completo, vimos um Cruzeiro dominante, vencedor, com uma tremenda personalidade, jogando aquilo que é a sua identidade e não à procura de mudar para se encaixar com o adversário, quem quer que seja. Vimos uma equipe que acabou por fazer um bom jogo, com um excelente resultado e com o qual, naturalmente, estamos todos felizes por aquilo que conseguimos aqui hoje.”, analisou o técnico cruzeirense.
Qual foi a dinâmica planejada para o meio de campo nesta noite?
“Uma das coisas também que é importante destacar é, nestes últimos seis jogos, cinco vitórias e termos pouca oscilação dos jogadores, o que vai causar também entrosamento. Vamos acabar por ter, ou vamos tendo, os jogadores que acabam por estar e entender onde está o colega, que características eu tenho do meu colega do lado, o que é que eu tenho à frente e atrás. Isto vai ajudando na dinâmica da equipe, aquilo que é a repetição do próprio time titular e que, como disse, estando só no campeonato, nos permite isso também, porque temos semanas mais inteiras de trabalho para preparar cada um dos jogos.”
“Mas estivemos muito disponíveis para os duelos, para aquilo que era a primeira e a segunda bola, para podermos estar compactos também, sermos capazes e eficazes naquilo que eram as saídas da zona de pressão para conseguirmos chegar aos nossos homens mais adiantados, concretamente o Kaio e o próprio Arroyo, com a ligação de homens entre linhas como o Matheus e o Gerson. E dois homens mais de trabalho, aqueles que acabam por ser mais responsáveis pela recuperação, o Zé e o Romero.”
“Portanto, esses, aquilo que é a nossa coluna central, todos com essa disponibilidade e ainda apresentando características diferentes também naquilo que é a forma que o jogo pedia. Mas eu volto a destacar aquilo que é a importância do coletivo, daquilo que é a equipe se sentir bem, se sentir confortável. Acho que os jogadores hoje também se divertiram jogando.”
“É aquilo que eu peço a eles, que possam desfrutar do jogo para que, mesmo em jogos de pressão, nós tenhamos que ser capazes de nos sentirmos bem dentro de campo para podermos colocar tudo aquilo que é o nosso potencial, de podermos trazer aqui para fora aquilo que é a qualidade individual de cada um, que depois, a serviço do coletivo, acabamos por conseguir ter um coletivo mais forte, mais capaz.”, disse Artur.
Vaga na próxima Copa Libertadores
“E como tenho dito também, este é o caminho, o caminho que nós queremos seguir, o caminho que procuramos implementar dentro do Cruzeiro para que possamos rapidamente atingir o nosso objetivo. Faltam cinco jogos agora, mais cinco jogos difíceis também pela frente, mas onde cada um deles, cada passo, cada etapa, como digo, sabemos o que temos pela frente, mas não nos esquecemos daquilo que deixamos para trás e aquilo que ficou para trás em termos de campeonato tem sido muito, muito bom.”
A escalação alternativa do Atlético preocupou?
“Não, eu tenho que me preocupar é em entender aquilo que eu tenho que fazer. Não me preocupo muito com o adversário, aquilo que é, temos que conhecê-lo, temos que saber a sua qualidade, temos que conhecer onde podemos ser mais capazes. Mas a preocupação é aquilo que é o trabalho que apresentamos, é em cima daquilo que nós queremos como evolução. Evolução daquilo que é o nosso dia a dia, daquilo que são as nossas rotinas, daquilo que é o nosso comportamento, o nosso trabalho para conseguirmos atingir objetivos. Naturalmente que uma maior prioridade olhando para dentro, sem nunca deixar de também entender o que é que está pela frente, mas destacando e voltando a dizer que o foco é nós podermos olhar para dentro e naquilo que temos a fazer porque ficamos mais perto de sermos mais entrosados, mais solidários, mais capazes e também de termos uma competência maior enquanto equipe.”, analisou Artur Jorge.
A substituição de Zé Lucas foi motivada pelo cartão amarelo?
“Sim, a substituição faço inteiramente pelo Zé (Lucas) já ter um cartão amarelo e ter visto os últimos minutos do primeiro tempo. Ficar um jogo já mais aberto. Ou seja, podendo ter alguma exposição, sobretudo aqueles jogadores que faziam perseguições mais curtas dentro de um corredor central onde havia muita dinâmica, muita bola e onde o jogo acabou por estar ali muito dentro desse corredor. E para não correr riscos, a substituição pelo Matheusinho, que é um jogador de características muito semelhantes também ao Zé.”
“E não creio que essa substituição nos tenha tirado o domínio, mas de uma forma quase que involuntária também. Temos uma reação do adversário para poder ir em busca do resultado e nós acabamos por momentaneamente, e digo momentaneamente em alguns momentos, dar mais iniciativa ao adversário e tentar explorar um pouquinho mais umas saídas mais rápidas, sem nunca perder aquilo que era o balanço e o equilíbrio que tanto com o Zé em zonas mais altas e com o Matheus, Matheusinho em zonas mais baixas tivemos do primeiro tempo para o segundo.”, analisou o técnico português.
Mudança de postura da equipe entre o primeiro e o segundo tempo
“Não baixou. Baixamos um pouquinho mais as linhas, provavelmente já expliquei por aquilo que é uma possível subida do adversário, mais risco, um adversário que faz duas substituições no intervalo também para tentar colocar energia nova e tentar procurar situações diferentes. Não baixou a nossa intensidade. Não confundam intensidade com domínio. Eu vi os meus jogadores aos 95 minutos de jogo tendo disputas dentro da nossa grande área, perto da nossa linha lateral ou linha de fundo, no chão, impedindo finalizações ou cruzamentos. Isso é intensidade. E nós, aquilo que estamos falando provavelmente é de não estarmos tão avançados no jogo como estivemos no primeiro tempo. Mas a intensidade esteve lá sempre e não falhou nunca. E só dessa forma é que se conseguem resultados como este aqui que nós conseguimos, que é ter a qualidade e a capacidade de, desde o primeiro ao último minuto, manter a intensidade e a vontade de querer ganhar.”, disse Artur.
Por que a entrada de Matheusinho e não de outro atleta, como Lucas Silva?
“Porque sou eu o treinador que manda na equipe.”, disse Artur Jorge.
O Cruzeiro soube sofrer nesse segundo tempo?
“Sim, nós hoje demos uma demonstração de compromisso forte e vamos chamar saber sofrer porque é importante quando juntamos mais linhas, quando estamos mais expostos, quando temos mais bolas na área, quando temos os nossos alas, no caso o Gerson e como tivemos o Arroyo defendendo cruzamentos, defendendo dentro da própria grande área, bolas levantadas para o nosso gol. Isso também é sofrer.”
“Mas eu não acho que a gente tenha sofrido muito hoje, sinceramente. Acho que tivemos momentos em que tivemos necessidade, como todas as equipes em 90 minutos defendem momentos. Mas demos uma prova capaz de, acima de tudo, de grande solidariedade entre todos. De que o colega do lado foi sempre apoiado por quem estava mais próximo. De que fomos capazes de ter esse compromisso. E isso é importante.”
“E isto é importante para aquilo que eu disse anteriormente, que é importante saber sofrer porque há jogos que nós vamos ganhar por 1 a 0 e termos muitas vezes que defender quase até o limite do impossível. Hoje não foi o caso. Defendemos bem, criamos muito, atacamos muitíssimo bem, finalizamos menos bem. Por isso o resultado de 1 a 0, que podia e devia ter sido bem mais largo para aquilo que nós produzimos hoje durante 90 minutos.”, finalizou Artur Jorge.