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“A responsabilidade é minha”: Artur Jorge analisa derrota do Cruzeiro para o Santos; veja a coletiva do técnico

O treinador se mostrou muito insatisfeito com o resultado negativo fora de casa

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Neste sábado (12), o Cruzeiro foi derrotado pelo Santos, por 2 a 1, na Vila Belmiro, pelo Campeonato Brasileiro. O técnico português, Artur Jorge analisou o resultado negativo. O comandante afirmou que a derrota passa muito pela falta de competitividade no primeiro tempo.

“Resumidamente, aquilo que eu lhe posso dizer em relação ao jogo de hoje é que fomos penalizados exatamente pela primeira parte fraca que fizemos. Uma primeira parte, de fato, muito curta em que acabamos por permitir a vantagem do adversário. Os jogos têm que ser de uma consistência competitiva mais alta, e nós, de fato, temos ou tivemos uma primeira parte bem fraca para aquilo que deveria ser o nosso jogo. Melhoramos pouco na segunda parte, mas melhoramos alguma coisa, tivemos alguma ascendência, mas o resultado acaba por nos penalizar exatamente por aquilo que foi a nossa não capacidade e competitividade da primeira metade.”, iniciou Artur Jorge.

Qual o sentimento de trabalhar uma semana toda e vê um desempenho tão abaixo no jogo seguinte?

“Não, nós não podemos falar de entregar isso ao torcedor do Cruzeiro, porque nós não podemos olhar para o resultado, e isso está nos deixando com que as palavras nos levem para onde não devem. Aquilo que nós fizemos, já o admiti aqui, foi uma primeira parte muito fraca. Permitimos mais oportunidades ao adversário, permitimos algumas finalizações também.”

Tivemos as nossas oportunidades, mas, como lhe disse, foi um jogo em que nós tivemos 90 minutos em que não fomos constantes. A primeira metade foi bem abaixo daquilo que nós devíamos produzir, e isso é um sentimento grande de frustração nesta altura, meu, dos jogadores, que também se podem lamentar por aquilo que foi o desempenho e, obviamente, depois de toda a torcida, porque este é um resultado que nós não queríamos e, consequentemente, um resultado que a todos nós, a todos nós, nos deixa desiludidos.”, analisou o técnico do Cruzeiro.

Qual a divisão de responsabilidade entre comissão técnica e jogadores?

“Isso é uma pergunta muito tendenciosa. A responsabilidade é minha. Só. Sim, mas vocês querem encontrar um culpado. O culpado sou eu. Quando perdemos, o culpado sou eu. Eu sou a cara dos resultados. E, quando ganhamos, ganhamos todos. Quando perdemos, sou eu que perco.”, afirmou o técnico.

Qual o peso dessa derrota, levando em consideração que o time só tem o Brasileirão pela frente?

“É de um constante trabalho para melhorarmos, porque os nossos rivais de cima nenhum deles ganhou também. Estou a falar daqueles que estão lutados para a quinta posição. São resultados que naturalmente, e nós sabemos, quem anda no futebol há muito tempo, que os próximos dez jogos são todos jogos de resultados incertos, porque o último ganhar o primeiro não vai surpreender ninguém. E onde nós temos que procurar ser constantes.”

Eu não lhe posso dizer muito mais do que isso. O que nós temos que fazer é continuar o nosso trabalho, fazer o nosso trabalho. Não nos podemos sacrificar agora pensando que está tudo errado. Temos é que admitir humildemente que de fato hoje o nosso jogo não foi o melhor, sobretudo a primeira parte, que foi muito má. É apenas e só isso.”, disse o português.

Qual a diferença entre o jogo contra o Athletico-PR e o jogo de hoje com o Santos?

Não podemos individualizar. Eu vou lhe dizer em relação àquilo que preparamos para o jogo e, curiosamente, àquilo que o jogo também nos traz por parte do adversário. Esta foi uma equipe que se apresentou muito idêntica àquilo que foi a estrutura do Atlético Paranaense há uns dias atrás em nossa casa.”

A grande diferença, para mim, do ponto de vista da dinâmica da equipe, foi a distância com que nós permitimos que os quatro médios adversários trabalhassem. Se eu me lembrar, se se lembrar daquilo que eu vos disse no final do jogo de lá, foram muito importantes os encurtamentos e a proximidade, e nomeei os quatro médios precisamente por isso, pela proximidade que eles tiveram, não permitindo jogar.”

Esta é uma equipe que tem realmente jogadores, provavelmente, com uma dinâmica maior dentro daquilo que era o corredor central do campo. Tem também, e teve, dois homens naquilo que era a construção a três que, quando a primeira linha de pressão era batida, carregavam procurando fazer superioridade naqueles quatro-quatro que estavam dentro do meio-campo do corredor central.”

“E essa distância foi, de fato, muito, muito determinante para aquilo que foi o resultado, porque nós fomos acabando por ir sempre em compensação e, dentro dessas compensações, chegamos sempre atrasados. Ao chegar atrasado, nós permitimos que o adversário ganhasse metros e tivesse o tal número de finalizações. Como eu disse, grande parte delas foi no corredor central e até fora da grande área, mas onde, de fato, havia uma carreira aberta para que essas finalizações acontecessem.”

“Portanto, acho que, do ponto de vista do jogo jogado, para mim, a grande diferença, ou aquilo que nós hoje mais falhamos e mais distantes estivemos do que foi pedido, foi que permitimos àqueles quatro homens jogarem com a vontade que jogaram e, dessa forma, nós chegamos mais vezes atrasados aos duelos, consequentemente, àquilo que eram compensações, em vez de estarmos, numa primeira fase, impedindo que o adversário construísse em zonas mais altas.”, analisou Artur Jorge.

Por que alguns jogadores que entraram bem não têm tantas chances como outros que não produzem tanto?

“Nós vencemos o jogo anterior. O onze de hoje é exatamente igual àquilo que foi o jogo da última vitória. A substituição que é feita tem um caráter médico também, mas é tirar mais um meio-campista para tentarmos arriscar um pouco mais, ter mais um homem na frente.”

“Dessa forma, nós íamos perder a igualdade numérica que tínhamos no meio, íamos nos obrigar a ter um desagregado também que pudesse crescer para igualar os quatro homens do meio-campo adversário. Dessa forma, íamos nos expor mais, estando mais vezes em situações de um contra um, porque procuramos e tentamos pressionar a partir daí com três homens na frente. Ao contrário do Arroyo e do Kaio (Jorge), acrescentamos o Wesley nesse tipo de pressão.”

Os jogadores que têm entrado bem continuam a entrar bem, continuam a jogar o tempo que é possível. Não me perguntem, eu não digo, ou não lhe vou dizer. Hoje, jogando com o mesmo onze da última vitória, não sei se estariam à espera que eu fizesse grandes alterações em termos de número de jogadores para dentro da equipe.”

“E aquilo que cada um dos jogadores, quem joga e quem não joga, deve fazer é dar o seu melhor em treino para poder ser opção, umas opções mais regulares do que outras, porque a verdade é que no Cruzeiro, como em qualquer outra equipe, existem jogadores mais titulares do que outros e jogadores que aparecem mais vezes no onze inicial por qualidade, por compromisso, por empenho, por aquilo que é o normal dentro de um elenco de futebol, onde não há 25 jogadores iguais.”, disse o comandante.

Como estabilizar o time após as eliminações?

Eu já respondi isso exatamente no dia em que fomos eliminados da Copa, que a grande dificuldade, na minha opinião, conhecendo o futebol como conheço, seria exatamente podermos ter uma equipe que reagisse rapidamente àquela que era a pancada de ficarmos fora de cada uma das copas que disputamos e que era importante nós termos a capacidade de olhar para o campeonato como um objetivo, tal como os outros dois que nós acabamos por não conseguir, mas sendo este aquele que é o nosso grande objetivo nesta altura.”

“E isso vai nos obrigar a um trabalho de consistência muito grande e isso não há fórmulas mágicas. É nós encontrarmos aquilo que é, perante todos os contextos, daquilo que é a semana de trabalho que temos para fazer, daquilo que é encontrar a melhor equipe para cada um dos jogos, a abordagem tática e mental para cada um desses jogos para conseguirmos ficar mais próximos de vencer.

Não vão ser 11 jogos nada fáceis, porque exatamente precisamos de contrariar aquilo que é a oposição de cada um dos nossos oponentes e depois aquilo que são os objetivos também de cada um, porque nesta fase final as equipes que estão na zona de baixo querem a todo custo sair dali, portanto os resultados vão começar a aparecer de forma mais estranha.”

“É verdade, é aquilo que eu lhe disse. Nós não ganhamos, o Fluminense não ganhou, o Athletico-PR não ganhou. É isto o futebol e nós temos que saber lidar com isto. Custa-nos mais quando isto, que foi perder, vem também acrescido de um jogo pouco conseguido da nossa parte.”, finalizou o técnico.

Pedro Reis

Mineiro de Divinópolis, 21 anos. Comentarista esportivo e setorista do Cruzeiro pelo Diário Celeste.

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