sábado, julho 31, 2021
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Honra e heroísmo: Um eterno capitão

Sob a batuta de Piazza, um empate quase inacreditável contra o rival

Salve Nação Celeste!!!

Wilson da Silva Piazza foi um gigante em campo.

Titular do Cruzeiro de 64 a 77, capitão por 12 anos, levantou os troféus da Taça Brasil e da Libertadores, além de 10 estaduais e sempre honrou nossas cores em mais de 500 jogos.

Após as finais da Taça Brasil 66, Piazza chegou em casa e tirou dos bolsos suas chaves, a carteira. E o Rei Pelé!

Também foi titular na seleção brasileira campeã da Copa de 70 e capitão na de 74, jamais tendo saído de campo derrotado em Copa do Mundo (Piazza não jogou na derrota para a Holanda de Cruyff).

A história de hoje é de um clássico contra o Atlético em 1967 e mostra como um capitão se nasce, não se transforma.

Era Novembro de 1967 e o time de lá, da torcida e da imprensa, não conseguia vencer ao jovem Cruzeiro já havia três anos. A pressão subiu com o título brasileiro do Cruzeiro conquistado um ano antes.

Mas o rival vinha bem no campeonato mineiro e àquela altura, nona rodada, tinha a melhor defesa e já contabilizava cinco pontos à frente do Cruzeiro. Faltava a eles aquela vitória.

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Mineirão lotado, início de jogo e uma grave baixa: Tostão, sozinho, pisou numa parte falsa do gramado enquanto corria em disparada ao gol e se machucou. Substituído pelo meia Zé Carlos, o time diminuiu o ímpeto de atacar e numa falha do zagueiro alemão Viktor, o Atlético fez 1 a 0.

Eram apenas 15 minutos de jogo e no lance seguinte, Lacy pulou malandramente de uma dividida com nosso zagueiro Procópio e caiu no gramado gritando de dor, apesar de não ter sido atingido. Vermelho direto para nosso beque e prejuízo sem medida.

Agora sim a esperada vitória alvinegra viria.

Podia piorar? Sim.

Ronaldo, atacante atleticano, marcou 2-0 com um golaço de cobertura em Raul.

O restante do primeiro tempo foi uma loucura.

Muita pressão do Atlético, muito chutão do Cruzeiro.

Piazza voltou para a quarta zaga e tentava acalmar o time, que segurou-se até o fim do primeiro tempo.

No intervalo, Piazza e o técnico Orlando Fantoni tentavam animar o grupo, mesmo com Tostão desolado com gelo no joelho, Procópio inconsolável pela injusta expulsão, e Dirceu gemendo de dor no tornozelo devido a uma maldosa entrada do atacante Tião.

A volta do intervalo foi de um Cruzeiro de brio, de orgulho ferido.

Poderiam até perder o jogo, mas cairiam de pé!

Evaldo cabeceou uma bola na trave.

Dirceu quis fazer um golaço e perdeu gol certo.

E do lado de lá, sorte: Raul, sempre seguro, soltou uma bola fácil e Lacy fez 3-0.

Mas o time não esmoreceu, e Natal fez um gol de cabeça logo em seguida.

A torcida atleticana silenciou.

Era a senha!

Piazza roubava a bola, distribuía, orientava, e seus asseclas entendiam o recado.

A torcida também subiu o volume e engoliu o grito rival.

Menos de cinco minutos depois do primeiro gol, Natal, mesmo desequilibrado anotou o segundo. E o medo ficou estampado nos rostos atleticanos.

Evaldo resolveu jogar.

Hilton Oliveira também apareceu.

E após boa tabela, nosso ponta-esquerda foi derrubado na área pela zaga do Atlético.

Dessa vez o juiz não podia ajudar.

Pênalti!

Só que Tostão, o batedor, não estava em campo.

Aí o Capitão apareceu.

Botou a bola debaixo do braço e fez-se um silêncio gigantesco no Mineirão.

Ouvia-se o respirar de Piazza a caminhar para a bola.

Inteligente, Piazza caminhou lento para a bola e esperou o goleiro Hélio se decidir antes de chutar. Sem muito tirar para o canto, apenas o suficiente para matar o goleiro e empatar aquela batalha!

Ainda teve tempo para um pênalti não marcado em Evaldo, e uma bola na trave chutada por Zé Carlos.

Heroísmo celeste!

Abatimento atleticano!

Tanto foi que o Cruzeiro tirou a vantagem, empatou em pontos com o rival e nas duas decisões, já em 68, carimbou o tricampeonato com duas grandes vitórias.

Capitão nato, Piazza carimbava naquele jogo sua posição de líder.

Ladrão de bolas limpo, posicionamento impecável, defensor implacável.

Piazza só seria vencido por uma insistente lesão na virilha e pelas rusgas com Yustrich.

Cansado, Piazza disse adeus aos gramados num jogo contra o Esab, no Mineirão, em 29 de Junho de 1977.

Fechava-se ali uma das mais bonitas páginas heroicas e imortais escritas em campo na história do Cruzeiro.

Piazza imortal, que botou Pelé no bolso, que ganhou uma copa jogando improvisado!

Monstro!

Fotos: Apaixonados por Futebol / Rádio Cinco Estrelas / Trivela / Veja

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