sábado, julho 31, 2021
HomeCrônicasO racismo nosso de todos os dias: cabelos exóticos

O racismo nosso de todos os dias: cabelos exóticos

Comentarista Edson Florão chamou cabelo e jogadoras do Bahia de "exótico", na transmissão da partida entre Napoli e Bahia, pelo Brasileirão Feminino

Assim como já aconteceu outras vezes, atletas do Bahia receberam comentários preconceituosos e racistas. O fato aconteceu nesse domingo (25), no duelo entre Napoli e Bahia, pelo Brasileiro Feminino A1. Onde, o comentarista Edson Florão, disse:

“Acaba tendo que rifar a bola, facilitando especialmente o sistema defensivo da equipe do Bahia, que está ai com a sua vantagem de estatura, com esse cabelos exóticos, pelo menos uma meia duzia né. Aline tem o cabelo mais exótico, me parece, dessa equipe do Bahia ai né.”

“Acaba tendo que rifar a bola, facilitando especialmente o sistema defensivo da equipe do Bahia, que está ai com a sua vantagem de estatura, com esse cabelos exóticos, pelo menos uma meia duzia né. Aline tem o cabelo mais exótico, me parece, dessa equipe do Bahia ai né.”

E o narrador da partida Paulo Cezar Ferrarin, completou: “Verdade. Eu tava até brincando aqui com esses cabelos, parecia Margareth Menezes né, a da Bahia”

Começamos pelo significado de exótico, que contrapõe exatamente o que o cabelo das atletas não é. Afinal, segundo pesquisa do Instituto de Beleza Natural e a Universidade de Brasília (UnB), cerca de 70% dos brasileiros tem cabelo crespos ou cacheados. Portanto, não é exótico, é natural e faz parte do Brasil.

Segundo, ainda dentro do significado de exótico, não é esquisito. Pois, pelo contrário, a diversidade do Brasil é expressa na sua cultura, na sua fala, nos seus costumes, no seu modo de vestir, na sua aparência e isso é bonito, é natural. Logo, as mulheres negras com cabelos crespos ou cacheados, não são animais de zoológico, como bem trouxe a jornalista Natália Andrade. São seres humanos que sofrem diariamente com o preconceito, mas, acima de tudo, merecem respeito, inclusive no exercício da sua profissão como jogadoras de futebol profissional.

Entretanto, a atitude é comum. Pois, mulheres negras sofrem preconceito no esporte a muito tempo, inclusive atletas do Cruzeiro. Nesse ínterim, ressalto o caso da atleta Aline Rosa quando aqui esteve, mais um episódio lamentável do que as atletas sofrem no futebol feminino.

Contudo, e talvez o mais importante, é entender nosso papal como agentes por vezes, propagadores de tais preconceitos e também como possíveis agentes que podem mudar tais situações. Desta forma, o apelo que faço, é de procurarmos entender nosso papel nesse contexto e procurar mudar. Essa é uma luta de todos!

Como material de indicação para conhecer mais sobre a luta e demais coisas, indico aqui alguns sites sobre o tema: Observatório da Discriminação racial no Futebol, Geledés, Politize, Quebrando o Tabu, Instituto Marielle Franco.

Por fim, e extremamente importante, vale ressaltar também que a Injúria Racial é crime, previsto no artigo 140, parágrafo 3°, do Código Penal Brasileiro, com pena prevista de reclusão de um a três anos e multa, além da pena correspondente à violência, para quem cometê-la. Ademais, racismo é crime inafiançável e imprescritível previsto no artigo 5° da Constituição Federal.

Diego Marinho
Cruzeirense, historiador e apaixonado pelo Cruzeiro e por Futebol Feminino. Cobrindo o As Cabulosas através do Diário Celeste e da página Futebol Feminino Celeste.

Deixe uma resposta

Páginas Heróicas

Pablito, humildade e gargalhada

Salve Nação Celeste!!! CENA 1: Eu, esse que vos escreve, evoluindo dia a dia na arte de driblar a toxicidade das redes sociais e conseguindo ser...

Mais popular