Artur Jorge exalta elenco do Cruzeiro: “Todos são importantes” após vitória sobre a Chapecoense; veja a coletiva do técnico
O técnico analisou a classificação conquistada, as mudanças do time titular e os novos reforços
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Após a vitória do Cruzeiro sobre a Chapecoense, o técnico do Artur Jorge, analisou a classificação do time estrelado na Copa do Brasil. O comandante se mostrou satisfeito com o desempenho e a postura dos jogadores nesta quarta-feira (5), no Mineirão, destacando a superioridade durante os 90 minutos.
“Daquilo que para nós é importante, é, de fato, a classificação. Foi um jogo bem conseguido, bem seguro da nossa parte. É um jogo em que tivemos uma dominância constante ao longo de toda a partida. Claro que com mais superioridade na segunda metade, quando o adversário fica com um jogador a menos, acabou por se notar mais, mas acho que durante os 90 minutos houve uma equipe a procurar ganhar, uma equipe que foi dominante e segura. Satisfeito pelo comportamento, pela atitude dos jogadores, pelo desempenho e, sobretudo, pela classificação, que era isso que nós queríamos.”, iniciou Artur.
O quanto a classificação dessa noite pode dar energia à sequência da temporada?
“Bem, realmente ganhando energia diferente. Conseguimos, eu acho que o melhor antídoto para aquilo que possa ser a fadiga, a exigência do campeonato e das competições brasileiras, aquilo que é a exigência de jogar de três em três dias, é, de fato, ganhar. Porque cria um estímulo e uma falsa sensação de bem-estar, mas que é mais emocional e mental, por conquistar vitórias em cima de vitórias.”
“É importante neste momento para nós, porque temos, de fato, aqui um período, ou, se quisermos, o mês de agosto, que vai exigir muito de nós e onde é importante nós termos a capacidade física, a capacidade técnico-tática, mas também emocional de lidar com todas estas situações e estarmos todos preparados.”, disse o técnico estrelado.
Atletas que receberam oportunidade nessa noite
“Hoje foi também este o exemplo daquilo que eu tenho vindo a falar. Falou do Romero e do Jonathan Jesus, eu prefiro falar do João Marcelo e do Matheusinho, porque foram aqueles que, de fato, estiveram em campo e muito bem. Foram importantes para a equipe, demonstraram que estão preparados, valorizaram aquilo que é, como digo sempre, a competitividade interna para que nós possamos ser mais equipe.”
“E, quando eu digo mais equipe, é sermos mais abrangentes, termos mais soluções, termos mais gente preparada, ter mais competitividade interna. Acho que isto serviu também, ou serve também, para demonstrar isso e é também um sinal para dentro de que estamos preparados. A oportunidade chega mais cedo ou mais tarde.”, comentou Artur Jorge.
Qual a importância da torcida enchendo o Mineirão?
“É importante dizer que são indispensáveis, porque nós conseguimos sentir, de fato, o ambiente. Hoje teríamos meia casa, talvez, parece-me que o número terá sido mais ou menos esse, mas sentimos essa energia. É muito, muito importante para os jogadores, porque, volto a dizer, a energia que muitas vezes vem de fora é também aquela que nos faz, dentro de campo, dar mais alguma coisa. É motivação extra, é aquilo que nos puxa, que nos empurra muitas vezes para conseguirmos coisas que depois, no final, eu chego cá e digo: ganhamos porque fomos empurrados ou nos ajudaram a conseguir ganhar.”
“São uma torcida muito apaixonada, muito presente. Nós temos sentido exatamente isso. Traz-nos responsabilidade também para que nós possamos corresponder. Sabemos que essa exigência de quem apoia, de quem está presente, de quem suporta uma equipe, tem que ter retorno. E o retorno é nós darmos o nosso melhor.”
“Não digo que vamos ganhar sempre, mas vamos dar sempre o nosso melhor. A nossa entrega tem que ser sempre até o último minuto, sem nunca falhar àquilo que é o compromisso de darmos o nosso melhor em todos os jogos para que, de fato, possamos fazer uma equipe com 12 jogando em casa, principalmente onde sentimos mais esse apelo e esse apoio também da nossa torcida.”, afirmou o treinador.
As diferenças entre atacar por dentro e pelos lados do campo? A estratégia contra a Chapecoense
“A diferença muitas vezes depende daquilo que o adversário, como ele se comporta. Vocês sabem porque a Chapecoense fez isso no jogo em casa também. Uma linha de quatro, três meio-campistas, três homens mais na frente. No primeiro momento de pressão em zonas altas, ou quando a bola era recuada, era uma equipe que pressionava com três mais três, procurava controlar o espaço por fora com os três meio-campistas, que tinham uma movimentação constante de um lado para o outro.”
“E quando em zonas mais baixas, os pontas acabam por se juntar também um pouco mais e fazer uma linha de cinco, deixando apenas um atacante na frente. Isso faz com que nós possamos ter alguma variabilidade da forma como conseguimos ou tentamos quebrar.”
“Primeiro tem a ver com a velocidade de circulação da bola, depois a mobilidade dos jogadores, para que nós possamos encontrar, quando em zonas mais altas, os espaços interiores, que é onde jogadores como o Arroyo, o Matheus (Pereira) e o Kenji se sentem muito confortáveis a procurar os espaços entre linhas. É aí que nós procurávamos tentar ganhar vantagem.”
“Quando mais perto da nossa área, porque as linhas eram três mais três, nós acabamos por ter mais espaço por fora. Aí era importante chegar rapidamente com a bola ao William e ao Gabi (Rojas), para que nós pudéssemos ter corredor e termos gente capaz de atacar aquele espaço, utilizando mais, dessa forma, o espaço por fora.”, analisou o técnico.
A confiança em todo o elenco
“Coragem, e estamos lhe a chamar coragem, é, de fato, o trabalho diário que fazemos, de perceber que nós podemos contar com os jogadores que acabaram hoje por substituir esses dois nomes que acabou por falar. É importante ter uma equipe que apresente sempre consistência. E a consistência, quando falamos muito de equilíbrio, falamos aqui durante muito tempo de contratações, quem vem, quem não vem. Eu falo sempre que é importante nós equilibrarmos a equipe para podermos ter competitividade interna, que é sempre importante. Ou seja, é sempre importante que o Fabrício e o Jonathan, por exemplo, sintam que o Villalba e o João estão perto, portanto, que não vão facilitar se eles tiverem um descuido.”
“Durante esta questão, ou na minha decisão de poder apostar, sabendo que é importante nós podermos também não só dizer, porque parece e é sempre mais fácil, mas também demonstrar com atitudes como esta, de colocar os jogadores dentro de campo, que confio neles. Não adianta dizer que tenho um elenco e que gosto muito de todo mundo, mas depois jogo sempre os mesmos 10. Não estou a ser justo para eles, ou pelo menos não estou a ser verdadeiro.”
“O meu lado verdadeiro e a minha liderança passam por isso, por tentar falar com eles sempre de uma forma muito clara. Para mim, todos contam. Há momentos em que uns contam menos do que outros, porque estão num momento mais abaixo do que aqueles que possam estar a jogar. Mas é importante que o trabalho seja reconhecido e recompensado. Muitas vezes não dá, mas, quando há oportunidade, eu digo sempre: estejam preparados para as oportunidades. Elas vão surgir mais cedo ou mais tarde e, estejam preparados para aproveitá-las.”
“Hoje vimos que o João (Marcelo) fez um jogo ótimo. O Matheuzinho tem sido utilizado com alguma regularidade, mas o João não. E eu não me esqueço do jogo que fez contra o Remo, por exemplo. Portanto, tem dado respostas muitíssimo positivas e hoje, mais uma vez, mostrou que é um zagueiro com quem nós contamos, que está no elenco por mérito próprio e que é um jogador que nós, obviamente, consideramos, como outros que possam ter jogado hoje mais ou menos, ou outros que nem jogaram.”, disse Artur Jorge.
Há a chance de rodar todo o time? Ou a base da equipe deve ser mantida?
“Não, nunca o fiz. Fico muito chateado quando vocês falam de time reserva. Para mim é uma ofensa muito grande. Pessoalmente, e reparem, não sou eu que faço parte do time, mas eu ficaria do lado deles, ficava muito ofendido. Eu não posso, de forma nenhuma… Se não gosto, não posso ser o primeiro a tratar os meus jogadores dessa forma. Para mim, todos são importantes. Há momentos diferentes da temporada. Há momentos em que uns podem ter mais destaque, outros podem ter menos. Não conseguimos ter todo mundo com o mesmo tempo de jogo, é impossível. Nenhum treinador consegue fazer isso no mundo.”
“Agora, nós temos que mostrar aquilo que, para mim, é fundamental, que é a humanização com os jogadores. Saber que há momentos melhores para eles poderem ajudar, há momentos em que podem precisar de alguma tranquilidade para se reencontrarem. É sempre tudo muito importante e cada caso é um caso. Mas é importante que nós possamos, como disse, não só dizer, mas com atitudes mostrar que acreditamos e que temos os jogadores para colocá-los à prova. Depois vai depender deles. Depois, obviamente, vai depender muito daquilo que seja o seu desempenho, porque nós também fazemos avaliações. E nós, digo eu, treinador, no final do ano, a própria diretoria faz também, para percebermos se os jogadores, de fato, têm números e desempenho que justifiquem continuar ou estarem conosco.”
“É por isso que há essas mudanças durante o fim da temporada. Portanto, para mim, é sempre importante ter uma equipe preparada, de homens e jogadores capazes de dar o seu melhor, seja quando for. Se tiverem que jogar cinco, são cinco. Se tiverem que jogar 105, são 105. Mas iguais a si próprios, com ambição e com exigência por aquilo que fazem.”, analisou Artur.
Analise sobre os novos reforços
“Falar sobre esses três casos é muito simples. Dizer a vocês que, internamente, eu, pessoalmente como treinador, a administração e a diretoria, para buscá-los, acreditamos neles. E eles têm agora que mostrar dentro de campo por que nós os fomos buscar. Acho que isso é o mais direto que posso ser. Mais do que palavras, é trabalharem. E aquilo que eu lhes peço sempre é o compromisso de que possam vir para trabalhar, para ajudar a equipe, para poder acrescentar valor. A partir disso, depois, aquilo que possa ser o tempo de utilização, a qualidade, o que possam fazer de diferente, será o tempo, será o tempo dentro de campo e será aquilo que é o desempenho de cada um nos jogos.”, disse o treinador português.
Artur Jorge comentou a discussão com integrantes da comissão técnica da Chapecoense e da arbitragem
“A comissão técnica não acontece nada. Uma questão, às vezes, de um bate-boca que acontece pelo calor do jogo. Não tenho nada contra ninguém do outro lado. Acho que também não têm deste lado. Portanto, acho que podemos evitar, sim, mas acaba acontecendo, de uma forma em que cada um está a defender o seu lado.”
“Em relação ao restante, eu vou deixar isso para vocês poderem rever as imagens e perceber um pouquinho se há ou não justificativa para que… E não fui eu, porque eu nunca falei da arbitragem. Se se pode entender aquilo que aconteceu com o Gerson, o Matheuzinho duas vezes e, depois, na quarta vez, em que há um cartão vermelho, a partir daí vocês avaliem, analisem e falem vocês, que eu prefiro que sejam vocês a falar do que eu.”, finalizou o técnico.