“Eu sei que nós incomodamos”, diz Leonardo Jardim, após a vitória do Cruzeiro sobre o RB Bragantino
O comandante celeste fez questão de ressaltar a força do time, mas manteve os pés no chão
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Após a vitória do Cruzeiro sobre o Red Bull Bragantino por 2 a 1, neste domingo (21), o técnico celeste, Leonardo Jardim, avaliou o duelo, destacando o plano de jogo, os ajustes táticos realizados durante a partida e o papel da torcida no resultado.
“Eu acho que foi um jogo extremamente competitivo. O Red Bull cumpriu melhor na primeira fase. Eu acho que, até a troca de pontas que fizemos — passamos o Christian para o lado esquerdo e o Wanderson para a direita — melhoramos o nosso jogo. Um jogo que foi muito bem preparado pelo treinador, que conhece bem o nosso elenco. Ele anulou para nós duas outras situações que costumamos fazer e provocou alguma dificuldade no nosso jogo. Depois dessa troca, acho que equilibramos o jogo e melhoramos.”
“Essa parte final do jogo, já estávamos por cima, já conseguimos fazer o gol de empate. E depois, no segundo tempo, voltamos sempre com esse dispositivo que preparamos e continuamos a criar dificuldades. Por isso, em termos das estratégias que escolhemos e dos jogadores que entraram. Todos trabalharam em prol do objetivo: no princípio, para procurar o resultado, e no fim, para defender o resultado.”, disse o técnico.
Evolução de Lucas Silva e Kaiki
O técnico português respondeu sobre o desempenho individual de Lucas Silva e Kaiki. O treinador destacou o coletivo acima das individualidades e elogiou a evolução de vários jogadores ao longo da época.
“Em relação aos atletas, já vos disse que é importante o coletivo. Muitas vezes, a imprensa fala de jogador A, B ou C, mas para mim todos têm uma importância fundamental, mesmo aqueles que às vezes jogam menos. Kaiki tem feito uma temporada muito boa; não é por acaso que ele, na última convocação da seleção, esteve no grupo dos 40.”
“O Lucas (Silva) não necessita de apresentações; é um jogador que foi ao Real Madrid, não é qualquer um que chega a esse nível. Com certeza, recuperamos ele fisicamente e temos a confiança que ele necessitava para desempenhar aquilo que é o futebol. Como outros que conseguiram, nesta temporada, se valorizarem: o Christian fez um grande jogo também em termos estratégicos, o Villalba também foi um jogador que se valorizou, e muitos jogadores que… Mas já tivemos esta conversa várias vezes. A valorização deles foi grande ao longo da temporada, mas isso foi principalmente pelo mérito deles, porque eles tiveram capacidade de trabalho, tiveram humildade para ouvir, tiveram capacidade de progressão e por isso eles, hoje em dia, estão sendo muito mais competentes do que eram no passado.”, disse Jardim.
Maturidade do Cruzeiro
Leonardo Jardim foi questionado sobre a maturidade do Cruzeiro ao buscar a virada sem se desorganizar, mesmo diante da cera do adversário. O treinador destacou a evolução da equipe, reforçou a mentalidade de equilíbrio e citou a postura de “outsider” no Brasileirão.
“Eu vou dizer o que eu disse aos jogadores no intervalo. Eu disse aos jogadores que o Cruzeiro é um outsider (azarão) nesta posição no Campeonato. E isto, às vezes, incomoda muita gente. Com certeza, queremos que os adversários tenham uma atitude mais agressiva, mais de luta, como aconteceu com o adversário. Porque, às vezes, os árbitros não facilitam nada no jogo. Hoje, temos que superar isso tudo. Eu disse aos jogadores que o primeiro objetivo, no segundo tempo, é não perder a cabeça. Não perder a cabeça, fazer aquilo que é o nosso modelo de jogo, jogar o nosso futebol, sem perder a cabeça.”
Eu sei que nós incomodamos, porque a torcida pensava que isto ia cair — e não cai. E o pessoal começa a ficar preocupado. Mas não se preocupe com o Cruzeiro. O Cruzeiro tem seus objetivos bem diferentes. E o que eu quero é que as pessoas sejam isentas, trabalhem bem e joguem o jogo pelo jogo.
Disse Leonardo Jardim, técnico do Cruzeiro
Inversão de Christian e Wanderson
Jardim comentou sobre os ajustes táticos realizados em campo, como a inversão de Christian e Wanderson. O treinador explicou que as correções fazem parte da estratégia e da rotação do elenco. O comandante comentou sobre a expectativa do torcedor por novidades no elenco.
“Em relação a algo de novo, penso que os torcedores não estão insatisfeitos com o que esta equipe tem apresentado. Não acredito que eles queiram algo de novo. Eles querem é que os seus jogadores sejam competentes. E hoje em dia existem jogadores que vão saindo do banco e que vão sendo uma ajuda importante no desgaste de outros, já que estamos no último terço da temporada, nos últimos três meses. Por isso, é importante esta rotação, com essas entradas às vezes mais cedo.”
“E a estratégia: nós temos que, cada vez mais, criar soluções para aquilo que o adversário possa fazer. Foi isso que eu vos falei. O adversário preparou muito bem o jogo. Dá-se parabéns ao seu treinador. Ele anulou um corredor para nós e o outro corredor obrigou um dos nossos volantes a sair do meio-campo. E foi essa correção estratégica que fizemos. Os jogadores já sabem como fazemos. Corrigimos e melhoramos o jogo com isso.”, comentou Leonardo Jardim.
Entrada de Gabigol como ponta
Jardim respondeu sobre a maturidade do elenco do Cruzeiro, comparando a virada contra o Bahia e a vitória dura em casa. O treinador destacou a utilização de Gabigol, Kaio Jorge e Matheus Pereira, explicou suas escolhas táticas e ressaltou a evolução coletiva da equipe.
“Com certeza, hoje em dia temos mais maturidade. Foi a primeira vez, por exemplo, que usamos o Gabriel (Gabigol), o Kaio (Jorge) e o Matheus (Pereira), e conseguimos manter a equipe equilibrada. Por aquilo que eu disse anteriormente, o lateral esquerdo deles não estava subindo ao ataque, e eu disse ao Gabriel: “Gabriel, tu vais fazer de ponta, e só tens que vir com ele, já que ele não está subindo, por isso equilibramos a equipe por ali.”
“E o Gabriel jogou quase como um ponta direita, e o lateral não subia; para ele estava bom, porque ele estava sempre no ataque, não teve que ir muitas vezes — ele foi só uma vez ou duas. Eu tinha a opção do Arroyo, mas o Gabriel é um jogador que está há mais tempo conosco, é um jogador que tem mais gols, é um jogador importante na estrutura, e eu tive que passar essa responsabilidade para ele de jogar ali, porque não tínhamos o Sinisterra.”
“Em relação ao outro lado, como o Marquinhos e o Bolasie entraram, e eles, em times defensivos, também já sabem muito bem a ideia do jogo, eu ali podia colocar o Arroyo, podia colocar outro, mas para jogar 5 minutos e defender bem, estes jogadores já estão preparados há 6, 7 meses, já sabem as indicações, já sabem onde se posicionar, e os reforços que estão chegando ainda estão ganhando essa maturidade, estão ganhando essa capacidade de perceber a estratégia coletiva, seja em times ofensivos, seja em times defensivos.”, disse o técnico do Cruzeiro
Briga pelo título do Brasileirão?
Agora focado apenas no Campeonato Brasileiro, poderia assumir de vez a briga pelo título nacional, já que está próximo do Flamengo na tabela. O treinador reforçou a seriedade do projeto e reiterou os objetivos principais da temporada.
“A nossa luta, eu já vos disse, e nós nos preparamos. Porque isso é muito bonito de falar, mas hoje, se a gente não tivesse capacidade de ganhar do Bragantino, todo mundo já estaria a questionar se nós tínhamos capacidade de ficar nos primeiros quatro. O futebol é isto, é muito claro. Por isso, não podemos estar alterando aquilo que é o nosso projeto. O Jardim foi contratado para um projeto e para desenvolver uma ideia com os objetivos. Eu não posso chegar aqui com uma ideia e dizer que agora o objetivo trocou. E depois, perco um jogo e digo que o objetivo agora é retroceder.”
“Temos que ser pessoas sérias, e eu gosto de ser. Não só parecer, mas também ser. E isso é a nossa ideia. Nós temos dois objetivos bem claros. Estamos na semifinal da Copa do Brasil, que era um objetivo. Estamos lutando pela posição direta na Libertadores, no G4. Vamos correr atrás disso. Mas isto: o G4 é o primeiro, o segundo, o terceiro e o quarto.”
“Neste momento, estamos em segundo lugar, porque temos mais jogos do que os adversários diretos. Não estamos em segundo diretamente. Se eles ganharem os jogos, vamos passar para o terceiro. O importante é que a gente vá cumprindo aquilo que é o nosso objetivo. Mas todos os jogos, como este, são importantes: fazer os três pontos. Por isso, vamos ver no fim. Eu já disse: no fim, vamos ver o resultado. Mas agora temos que focar no próximo jogo, contra o Vasco, e tentar o objetivo que é o mesmo: os três pontos.”, disse Leonardo Jardim.
Eficiência do Cruzeiro no ataque
Jardim comentou sobre a eficiência do Cruzeiro em finalizar com menos toques de bola, analisando o domínio da equipe no primeiro tempo e destacando a força do elenco e a preparação física em comparação aos adversários.
“Não, eu vou ser muito sincero em termos dessa referência de menor número de toques para fazer um gol. Mas se você vir a classificação das equipes que têm menor número de toques para fazer um gol, quem são? Mirassol, nós e Palmeiras — fomos os primeiros. Isso é uma característica de uma boa equipe. Porque não acredito que nenhuma equipe que jogue na frente da tabela, seja no Campeonato Brasileiro, na Alemanha, em Portugal ou na Inglaterra, precise de muitos toques para fazer um gol; ela não está jogando para os primeiros lugares, está jogando para trás.”
“Isso é uma característica que vocês podem ver, com certeza: o Mirassol é, o Palmeiras é, nós somos, e o Flamengo também não deve estar ali muito longe. Por isso, são 43 equipes que precisam de um menor número de toques para fazer um gol.”, disse Leonardo Jardim.
Importância de Bolasie ao elenco
Leonardo Jardim comentou sobre a importância de Bolasie dentro e fora de campo, destacando sua contribuição tática, presença física e capacidade de ajudar nas bolas aéreas, além de seu papel no grupo como pessoa integradora.
“O Bolasie tem uma importância dentro do grupo porque ele é uma pessoa que integra e une o grupo, e tem uma excelente relação com todos. Mas eu não o coloco a jogar pela relação que ele tem com os jogadores. Eu coloco a jogar porque eu acho que ele tem características que, às vezes, são importantes para um jogo de futebol.”
“Contra o Bahia, eu arrisquei com o Bolasie e tirei o Matheus (Pereira) porque o jogo estava, no fundo, mais na área, e o Bolasie é um jogador com outra presença e com outra agressividade, por exemplo, que nem o Gabriel (Gabigol) nem o Matheus (Pereira) têm. Hoje, em times defensivos, o que poderia acontecer? Eles nos pressionariam, e a gente teria que jogar um jogo mais direto. O Bolasie poderia ganhar ali umas bolas na frente, e, se tivermos uma bola parada ou outra, o Bolasie poderia nos ajudar na bola parada, pois é um jogador forte.”
“Tínhamos perdido o Kaio, tínhamos perdido o Wanderson, jogadores que ajudam nas bolas paradas; o Gabriel ajuda menos, e o Matheus Henrique também não é um jogador que ajude muito, apesar de ele ajudar em uma função, mas não contribui no jogo aéreo. O Bolasie, com a entrada dele, ajudou a nós mais no jogo aéreo e na disputa da primeira e segunda bola.”, finalizou Leonardo Jardim.