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Jonas Urias explica escolha por torcida única e avalia gramado: “O futebol agradece”

Treinador detalha escolhas após a vitória no Independência, comenta as condições do Mineiro e projeta evolução da modalidade até a Copa de 2027

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O Cruzeiro abriu larga vantagem na final do Campeonato Mineiro Feminino de 2025 ao vencer o América-MG por 4 a 0, no Independência, na tarde deste sábado (15). Após a partida, o técnico Jonas Urias analisou o desempenho da equipe, comentou as condições do gramado, explicou a decisão de ter jogos com torcida única, falou sobre as sete substituições realizadas e ainda deixou um recado importante sobre os caminhos para o crescimento do futebol feminino no país.

“Difícil é manter a concentração vencendo”, diz Jonas

Jonas destacou que o grande desafio do time foi manter o foco mesmo com o placar elástico. Segundo ele, a comissão técnica consegue controlar esse aspecto, mas as atletas precisam ter muita disciplina:

Jonas ressaltou que, apesar da goleada, o grupo manteve a concentração o tempo inteiro, criando chances e mostrando postura exemplar. Ele afirmou que se sentiu orgulhoso da atuação, pois o time respondeu em campo com atitude e mostrou que é o mesmo Cruzeiro que fez grande campanha no Brasileirão. Para ele, oscilações acontecem, mas nada passa despercebido no futebol: “Tudo incomoda quando não vai bem”, destacou.

O treinador ainda elogiou o comportamento do elenco durante os 90 minutos:

Ele explicou que as jogadoras se comunicaram o tempo todo e colocaram em prática cada orientação trabalhada no vestiário. Mesmo assim, reforçou que o trabalho não está concluído: “Vamos manter essa postura no jogo de volta. A ideia é construir mais uma grande vitória”.

Gramado: “O futebol foi favorecido”

Jonas também comentou as condições dos campos utilizados no Campeonato Mineiro:

Ele explicou que encontrou dois cenários durante a competição: gramados ruins em algumas partidas e um gramado excelente quando o time atuou em casa. Segundo o treinador, isso interfere diretamente no jogo. Sobre o campo do Independência neste sábado, Jonas afirmou que “o futebol foi favorecido” e que não se trata de ajudar o Cruzeiro, mas de valorizar a modalidade.

Torcida única: decisão financeira e estratégica

A final com torcida única também foi pauta da coletiva. Jonas explicou que a escolha tem relação direta com custos e logística:

Ele lembrou que o Mineiro não oferece subsídios aos clubes e que qualquer despesa extra recai sobre as equipes. Por isso, a decisão conjunta por torcida única acaba reduzindo os custos de operação, sobretudo para o visitante. Jonas citou que o América, ao optar por torcida única no jogo de ida, evitou transformar o Independência em um “jogo fora de casa”, já que a torcida cruzeirense costuma encher o estádio no feminino.

Mesmo entendendo o contexto, Jonas afirmou preferir outro cenário:

Para ele, o ideal seria ter duas torcidas nos dois jogos e disputar a final em grandes palcos. No entanto, reconheceu que o futebol feminino ainda está em fase de consolidação e precisa de esforços conjuntos: “Foi um ótimo jogo de futebol e merecia ser visto por mais pessoas. Fica o alerta: precisamos nos ajudar para fortalecer a modalidade”.

Sete mudanças: ritmo, estratégia e gestão física

Jonas explicou o motivo de ter realizado sete alterações ao longo da partida:

Ele disse que voltou do intervalo sem mudanças porque o time estava muito bem e não havia motivo para mexer. Diferentemente de jogos anteriores, o Cruzeiro voltou do vestiário com energia e marcou o quarto gol cedo. A partir daí, o treinador optou por usar o grupo para dar ritmo, controlar o tempo com as três pausas de substituição e cuidar de atletas que convivem com dores da temporada.

O técnico reforçou que confia no elenco:

Ele afirmou que tem prazer em colocar qualquer jogadora em campo, pois todas merecem. Para Jonas, unir merecimento e oportunidade é um dos princípios da gestão do grupo.

Como melhorar o futebol feminino até a Copa de 2027?

Jonas deixou uma cobrança clara às entidades responsáveis:

Para ele, o país precisa de um plano estratégico urgente, alinhado a aporte financeiro e participação dos clubes. Ele defende reunir as equipes, apresentar um projeto estruturado, ouvir sugestões e moldar um plano comum. Depois disso, buscar investimento privado: “Quem não quer associar sua marca a uma modalidade que terá uma Copa daqui a um ano e meio? É questão de visão. Sem plano, fica muito difícil crescer”.

Próximo jogo

O Cruzeiro enfrenta novamente o América no próximo sábado (23), às 15h, em local ainda a ser confirmado, mas com grande possibilidade de ser o Independência. As Cabulosas podem perder por até três gols de diferença e, ainda assim, conquistar o tricampeonato mineiro.

João Paulo

João Paulo é jornalista com passagens pela VAVEL e Portal 1921. Desde 2021 atua como setorista do Cruzeiro Esporte Clube, com apurações exclusivas sobre o clube.

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