Byanca Brasil desabafa sobre saúde mental e revela crises durante a temporada: “Parecia não ter fim”
Artilheira histórica do Cruzeiro abre o jogo sobre saúde mental
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Em entrevista ao Portal 1921, nesta segunda-feira (24), a camisa 10 do Cruzeiro, Byanca Brasil, abriu o coração, e falou pela primeira vez de forma pública sobre o período difícil que enfrentou em 2025, especialmente no aspecto emocional e mental.
A atacante revelou que iniciou o ano já sentindo o peso emocional acumulado dos últimos anos:
“Eu já iniciei o ano diferente. A carga emocional que eu tive nos últimos anos pesou muito pra minha saúde mental. Eu sou uma pessoa muito solidária… se alguém tem um problema, eu tento ajudar e deixo o meu de lado. Então imagina isso em um time, com a minha responsabilidade de liderança. Mas chegou um momento em que eu comecei a duvidar de mim, perdi muito a minha confiança, perdi minha vontade de estar ali dentro, não de jogar bola, mas de estar no ambiente do futebol.”
Assim, Byanca contou que procurou o técnico Jonas Urias antes mesmo da primeira rodada do Brasileirão.
“No primeiro jogo, eu falei com o Jonas que eu não estava bem e que não era justo eu estar em campo daquele jeito. Disse que ia me recuperar, mas que precisava de ajuda. E ele não hesitou em nenhum momento, mesmo com resultado em jogo. Ele quis me ajudar.”
A partida mencionada foi o duelo contra o Grêmio, o emocionante 4 a 3 de virada, com gol da própria camisa 10.
“Foi um ano muito difícil pra mim mentalmente”
Na sequência, a jogadora seguiu relatando o quanto o ano foi desafiador:
“Cheguei ao ponto de querer sair do ambiente pra pegar um tempo pra Byanca Beatriz, de afastar um pouco da Byanca Brasil. O suporte do clube fez muita diferença. A preocupação das meninas… a Letícia perguntava como eu estava, tive ajuda da Paloma, da Gaby Soares e principalmente da Sochor, que já passou por depressão.”
Segundo Byanca, Sochor foi fundamental nos momentos de crise:
“Muitas vezes ela via que eu estava tendo crise e vinha, entregava um gelo, querendo conversar.”
Crise antes da semifinal contra o Palmeiras
A camisa 10 revelou também que teve uma forte crise de ansiedade antes da semifinal do Brasileirão, jogo de ida contra o Palmeiras, na Arena Barueri, partida em que brilhou com duas assistências.
“No jogo contra o Palmeiras, antes do jogo, eu tive uma crise de ansiedade no vestiário. Fui pro banheiro, chorei, orei. Pedi muito a Deus pra conseguir estar em campo. Durante o jogo também tive crise, e a Sochor me ajudou a controlar.”
Ela explicou que, mesmo desempenhando em alto nível, o pós-jogo foi complicado:
“Quando acabou o jogo eu tive um pico de felicidade enorme. Mas quando cheguei no quarto, tive um pico muito baixo… chorei, chorei, sem entender o que estava acontecendo. Foi quando percebi que só a psicóloga não estava adiantando.”
A partir daí, Byanca buscou acompanhamento psiquiátrico:
“Comecei a tomar remédio, hoje estou medicada e estou muito bem.”
“Parecia que não tinha fim… eu via tudo preto e branco”
Emocionada, a camisa 10 reforçou a importância de pedir ajuda:
“Parecia não ter fim essa sensação. Eu falava ‘cara, eu não vou voltar mais a sorrir’. Eu via tudo preto e branco pra você ver como era ruim. Me fechei muito, só vivia chorando.”
Ela destacou a importância da esposa, Gleice:
“Ela é a pessoa mais importante pra mim. É quem me tira do fundo do poço. Todo mundo vê a Byanca Brasil feliz no campo, mas a Byanca Beatriz dentro de casa é muito solitária.”
Mensagem ao público e aos torcedores
Byanca deixou uma reflexão sobre críticas nas redes sociais e o peso emocional no esporte:
“Eu sei que vocês me veem como super-heroína, mas eu também sou ser humano. Eu leio comentários, sofro, me cobro. É muito difícil. Eu quis me afastar do futebol por causa disso.”
A camisa 10 reforçou a importância do cuidado com a saúde mental:
“Peçam ajuda. Procurem um profissional. Eu fui diagnosticada com depressão, e só quem vive isso sabe o que é olhar pra si e não se reconhecer. Hoje, voltar a ver o mundo colorido é o maior troféu que eu levanto.”
E concluiu:
“Estou aberta à cobrança, mas lembrem que existe um ser humano por trás. O maior troféu da minha vida é estar vencendo a depressão.”
Byanca Brasil é a maior artilheira da história do Cruzeiro, com 55 gols, e está cada vez mais perto de atingir a marca de 100 jogos pelas Cabulosas. No momento, a camisa 10 soma 80 partidas com a camisa celeste.