Artur Jorge analisa vitória do Cruzeiro e projeta sequência decisiva da temporada; veja a coletiva do técnico
O treinador destacou a evolução da equipe, mas também lamentou as baixas de Gabriel Pec e Luis Sinisterra
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Após a vitória do Cruzeiro sobre o Coritiba, por 1 a 0, nesta quinta-feira (30), o técnico celeste, Artur Jorge, analisou o desempenho da equipe celeste no triunfo no Couto Pereira. O técnico português ressaltou a importância de voltar a vencer dentro do Campeonato Brasileiro.
“Em relação ao jogo e à vitória, eu acho que a vitória foi consequência daquilo que foi o comportamento e o trabalho dos jogadores. Foi uma equipa que se mostrou desde o primeiro minuto muito forte para tentar controlar o jogo, para ser dominante, para poder ter a capacidade de tirar a bola ao adversário e podermos nós ter o nosso momento ofensivo com a construção e a qualidade também que o jogo pedia. E, para além dessa qualidade, fomos também uma equipe extremamente combativa.”
“Acho que a vitória é justíssima. Fomos uma equipa claramente dominante nos 90 minutos. Permitimos uma reação ao adversário já depois de termos feito o nosso primeiro golo, mas em nada altera aquilo que é o comportamento de uma equipa que veio cá para ganhar e que se comportou dessa forma. E quando é este o comportamento dos jogadores, com todo o trabalho e com o verdadeiro sentido de equipa em que encararam este jogo, com um cumprimento do plano de jogo também muito perto da excelência, acabamos por conseguir o resultado que queríamos, porque era exatamente isso aquilo que nós vínhamos cá fazer.”, disse Artur Jorge.
Como o técnico do Cruzeiro planeja utilizar os jogadores da base?
“Eu acho que nós temos que destacar aqui o comportamento coletivo. Na verdade, todos aqueles que tiveram a oportunidade dentro de campo, que estiveram os 90 minutos ou aqueles que jogaram 10 ou 15 minutos, tiveram todos um compromisso dentro daquilo que nós esperamos que seja sempre consistente.”
“O facto de termos jogadores mais jovens dentro de campo, hoje jogadores que são da base, provavelmente estamos a falar concretamente do Felipe Morais, que tem 17 anos, que hoje teve a oportunidade de jogar, é fruto daquilo que é o seu trabalho. Dentro de uma janela de oportunidades que as próprias lesões de colegas como o Pec, o Sinisterra e a ausência do Néiser (Villareal) também abrem oportunidades, os jogadores estiveram preparados e prontos e, se trabalharem durante a semana de forma a que eu possa, de fato, apostar neles, foram esses sinais que o Felipe me deu. Dentro daquilo que trabalhou conosco, foi sempre muito positivo, muito enérgico, e hoje mereceu a titularidade, não por ter 17 anos, mas sim porque é um jogador do Cruzeiro que nós achamos que hoje era o melhor para a posição.”, afirmou Artur Jorge.
Qual é a dificuldade de alcançar o G4 do Brasileirão?
“É muito difícil, porque exatamente qualquer resultado adverso nos põe numa posição mais longe, porque aquilo que é a palavra que eu digo determinante em tudo isso é a recuperação. Ou seja, nós viemos em recuperação, nós viemos de trás para a frente.”
“Nós estamos a fazer uma campanha em cima de uma grande consistência de vitórias no campeonato. O resultado é o resultado, não é a exibição. E eu acho que já ganhamos jogos em que fizemos menos do que aquilo que fizemos no jogo passado e não conseguimos vencer. Mas é isso que nós queremos, é podermos ter uma equipe que esteja perfeitamente identificada com aquilo que é a ambição que temos que ter, para que cada um dos jogos, independentemente do resultado anterior, que nada vai alterar a nossa forma de jogar, a nossa forma de abordar cada um dos jogos, possa ser sempre a mesma.”
“Enquanto ganharmos, voltamos a atacar os jogos com a mesma vontade de ganhar. Não ganhamos o jogo anterior, hoje voltamos a entrar com essa ambição de poder ganhar. Portanto, isso é determinante. Agora, há aqui, de fato, um dado muito, muito importante, que é a recuperação. Nós viemos com muitos pontos atrás de todos os outros e vai ser uma luta tremenda para conseguirmos chegar, realmente, a essa posição do G4, G5, mas é onde nós queremos chegar. E vamos, com toda a certeza, trabalhar afincadamente, com o espírito que hoje vimos aqui dentro do campo, para lá chegar, porque é importante para nós podermos ter também essa validação do trabalho em cima da posição.”, analisou o técnico cruzeirense.
Qual é o planejamento para o compromisso contra a Chapecoense, pela Copa do Brasil?
“Eu encaro este momento, que de fato é um mês de decisões para nós, com a mesma ambição e com a mesma determinação. Nada altera nem pode alterar aquilo que é o nosso estado de espírito. Confio nos jogadores que tenho, sei perfeitamente que, para nós, seria, não digo mais fácil, mas seria melhor podermos contar com todos, porque estaríamos mais fortes, mais competitivos, até internamente. Mas a nossa ambição não muda, e aquilo que é a nossa capacidade de lutar, como hoje aqui demonstramos, tem que ser esta. Portanto, tem que ser esta a via que temos que lutar em cada um dos jogos que temos pela frente para a Copa do Brasil, já agora contra a Chapecoense, e depois pensarmos na Libertadores, quarta-feira, e, portanto, estarmos preparados para dar o nosso melhor em cima de adversidades que são o adversário em primeiro lugar e depois aquilo que possamos ter internamente, para que possamos lutar o mais bravamente possível, e isso vamos fazê-lo com toda a certeza.”, disse Artur.
Qual a importância da volta de Matheus Pereira e Gerson?
“A importância é realmente muita, porque qualquer equipe quer ter o seu nível de qualidade individual elevado, e estes são dois jogadores que nós temos no Cruzeiro que, de fato, elevam o nível qualitativo da equipe. Portanto, não ter um já é mau, não ter os dois é muito mau, mas não será nunca desculpa para mim, em momento algum, a ausência deste ou daquele jogador. Voltaram, voltaram bem, trabalharam imenso hoje, fizeram grande jogo, foram diretamente responsáveis pela ação do gol. São dois jogadores importantes para nós e que, para além daquilo que são as qualidades individuais que têm, que nos acrescentam qualidade à equipe, são também dois jogadores de referência dentro do elenco, onde são vistos como líderes e também como exemplo a seguir naquilo que são as qualidades e as conquistas de cada um deles.”, afirmou Artur Jorge.
Qual o desafio na mudança de planejamento com as baixas de Sinisterra e Pec?
“O desafio é aquilo que nós não controlamos. Nós preparamos a intertemporada e fizemos um esforço para podermos, no caso concreto do Pec, realizar a sua contratação. Não só do ponto de vista desportivo, é ruim para nós, mas também do ponto de vista de gestão, onde há um investimento em um atleta e esse atleta hoje não pode ser rentabilizado. Mas faz parte daquilo que nós nunca queremos que aconteça, mas que também nos põe à prova naquilo que é a nossa capacidade de nos reinventarmos, não só do ponto de vista da gestão, mas também da parte desportiva.”
“E nós, desportivamente, temos procurado encontrar soluções, procurar também potencializar os jogadores. O Arroyo foi, durante muito tempo comigo, o dono dessa posição, voltou hoje à competição, ainda que não esteja fisicamente na sua melhor forma, mas voltou à competição, e nós temos que estar preparados para isso. Mas volto a dizer que, para nós, era sempre ideal ter todo o elenco disponível para podermos ser mais competitivos. Quando não temos, nós temos que, às vezes, ter a equipe que necessite de alguns ajustes, mas nunca perder aquilo que é a sua identidade. A identidade de procurar ganhar e de procurar ser uma equipe que busca ganhar, onde quer que seja, contra quem seja.”, finalizou o técnico.